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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

L16 O Moisés moderno é esperto

Esperto é apelido, é ladino que só ele....
Realmente é por demais interessante, quando não divertido ouvir as pregações dos pastores e também dos padres dos dias de hoje, alguns que já se tornaram milionários e outros que persistem em programas de meia hora nas rádios, tudo o que a igreja deles pode comprar.
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Mas todos apregoam milagres acontecidos em suas igrejas, mas tantos milagres, em tal quantidade e em especial curas milagrosas, que fica difícil acreditar que as pessoas ainda se matem para pagar planos de saúde, quando poderiam simplesmente entrarem para qualquer uma das igrejas que apregoam esses milagres e ter não só saúde garantida a vida toda, mas também riqueza, fartura e muito dinheiro, desde é claro, que paguem o dízimo. Sem isso não tem nem milagre e nem dinheiro.
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Ao contrário disso, as modernas imitações de Moisés se deliciam aterrorizando seus ouvintes contando a estória daquele fiel que abandonou a obra do deus da sua igreja, leia-se parou de pagar o dízimo e por conseguinte de encher os bolsos do pastor. Aí todas as desgraças possíveis caíram sobre ele. Já os que pagam o dízimo em dia, contribuindo para a riqueza do pastor, contam testemunhos de como até o ano passado eram pobres e hoje, coisa de um ano depois pagando o dízimo, já tem uma mansão, carro importado e acabam de abrir outra empresa e também falam que aumentaram a quantia que dão para a igreja. 
Em meio a tudo isso, aparecem os mais diversos pastores com campanhas como a dos 40 dias de jejum, 40 dias no deserto, na cova dos leões, caminhada do deserto, celeiro de José e coisas tais, onde ao final acontecerão milagres impressionantes, sendo que o primeiro milagre é que os fiéis aumentam as contribuições para o dízimo, para conseguirem mais graças divinas. É mais ou menos assim, o fiel dá 100 reais para a igreja e será, com certeza, abençoado com um milagre onde ganhará 1 milhão de reais. Aliás muitos pastores nem perdem tempo pedindo o que o fiel puder dar, pedem de 50 reais para cima.
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Alguns, como o autoproclamado bispo Edir Macedo já acreditam serem os modernos sucessores de Moisés, usando trajes de sacerdotes judeus, barba como Moisés e faltando só começar a falar em hebraico para seus fieis, que imediatamente começarão a comprar as apostilas santas da igreja para também falarem em hebraico.
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Apregoam a autoria de todo o tipo de milagres, de curas milagrosas a até mesmo fazerem surgir dinheiro sobre a mesa de um dos fieis, que testemunhou já estar apavorado com uma dívida, mas depois de ter ido até a igreja pagar mais um dízimo, ora essa, encontrou sobre a mesa em sua casa, os milhares de reais que precisava para pagar suas contas. Uma fiel da rede católica Canção Nova até contou que estava andando de moto e vendo o indicador do tanque de combustível quase vazio, rezou para Nossa Senhora e milagre, quando se preparava para entrar no posto, o tanque milagrosamente tinha sido enchido por Nossa Senhora, que agora sem dúvida intercede junto a Deus por milagres mecânicos. É a salvação dos motoristas das grandes cidades. Basta rezarem com fé e até o pneu furado se encherá sozinho. De enchente então nem precisam mais ter medo. Uma reza e pronto, o carro sairá flutuando tal como a arca de Noé.
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Mas espertos e ladinos como são, esses modernos Moisés sabem que tudo é ilusão e para manterem a aura de milagrosos sem se exporem a um rotundo fracasso, que já devorou a igreja e a fortuna de outros colegas seus pouco cautelosos, com o descrédito e a perda de tudo, se limitam a apenas anunciarem milagres, sem nenhuma comprovação deles. Os testemunhos nos palcos são apenas cuidadosas encenações, A maior parte das curas milagrosas é de fieis que passaram meses no hospital ou dias na UTI e depois de curados pelos médicos, tem suas curas apresentadas como obra do prestígio do pastor junto a Deus. Médicos, hospital, UTI, dezenas de remédios e operações são apenas um detalhe sem importância. Quando não ocorre cura nenhuma, dizem apenas que o tempo de Deus não é o mesmo dos fiéis, mas mesmo assim o dízimo é exigido.       
 
Mas nenhum, absolutamente nenhum dos padres e pastores milagrosos, teve no último ano a coragem de dizer, que tal como um moderno Moisés traria, com a benção de Deus, a água da chuva para seus fiéis sedentos e em estado de aflição, com a seca que fustiga metade do Brasil. Na Bíblia, no livro de Números no capítulo 20, é contado como Moisés bateu o cajado numa rocha no deserto e dalí fez jorrar água em abundância tal que se tornou um rio e salvou seus seguidores de morrerem de sede. Fora isso Moisés deveria ter batido em outra pedra para que dalí saísse um guia de estradas, para não ter passado 40 anos no deserto sem acertar o caminho.
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Eu mesmo me converteria ao mais ardoroso dos fiéis se um desses padres ou pastores, salvando dezenas de milhões de fiéis das calamidades da seca, fizesse chover usando seu prestígio junto a Deus e deixasse os reservatórios de água cheios. No entanto nenhum deles se atreve a fazer isso. Sabem que com o fracasso de uma temeridade como essa, sua credibilidade, sua igreja e sua fortuna seriam perdidas na hora ao serem abandonados pelos fiéis e só tocam no assunto em rezas e alguns pastores e padres mais cautelosos nem isso fazem. Sabem que alguns dos seus fiéis lhes perguntariam porquê, se eles fazem tantos milagres, porque nãos ajudam a todos fazendo chover? Para essa pergunta, não tem milagre que dê alguma resposta.
Assim o que vemos é a massa de milhões de fiéis que vão até a igreja, pagam seus dízimos, deixam os pastores e padres mais ricos, veem e ouvem a habitual e diária procissão de fiéis contando como tiveram a graça de um milagre depois de pagarem o dízimo do mês ou melhor ainda, depois de pagarem todos os dízimos atrasados, mas nenhum deles conta que teve o milagre de pagar o dízimo e ver a caixa de água de sua casa e suas torneiras até vazando água em milagre semelhante ao de Moisés.
Milhões de fiéis realmente pensam e se perguntam. Pagaram o dízimo, foram bons com sua igreja, será que o pastor ou Deus não poderia ter pena deles e fazer que das suas torneiras saísse um verdadeiro rio, enquanto que suas caixas de água seriam transformadas em verdadeiras represas? Mas nada disso, ao contrário. Persiste a maior e mais pavorosa seca que já viram e o prognóstico é sombrio. Enquanto isso, longe de sua habitual confiança na exibição diária de milagres, os padres e pastores nem tocam no assunto, porque sabem que fatalmente algum fiel lhes perguntará isso. Se o padre ou pastor é tão milagroso, o que espera para me salvar da seca? Para evitar essa pergunta, os modernos sucessores de Moisés silenciam completamente.
Persistem no entanto os milagres diários da multiplicação dos reais. Padres e pastores aboletam-se confortáveis em milionárias mansões, construídas ao abrigo da montanha de dinheiro dada por seus fiéis, onde sobram o luxo, o dinheiro e a água que para os fiéis escasseiam e rareiam todo dia.
Sem contar que depois do culto, o fiel chega em casa e mais uma vez abre a torneira de onde uma parca e mísera gota de água cai de má vontade.
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O pior de tudo é que faltou água durante o culto também, quando o fiel, depois de pagar o dízimo e cantar o tempo todo, ao ir matar a sede, também encontrou na torneira da igreja a mesma parca e mísera gota de água, que caiu na pia de má vontade, bem ao contrário do dinheiro dele, que alegre e feliz caiu de boa vontade na carteira do pastor.
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Vellker

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

L14 O Espírito Santo frentista

Segundo a missionária, aconteceu...

Ontem consegui, ao menos em parte fazer com que um velho rádio da década de 70, que guardo como peça de museu, particular é claro, funcionasse em parte. Ainda tem que ser desmontado e limpo para poder funcionar direito. E logo após ouvir as faixas de ondas curtas, com suas rádios estrangeiras, decidi passear pelas rádios religiosas.
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Eu nem poderia imaginar que teria tantas surpresas assim. Descobri várias rádios, mas as mais interessantes são as que pregam aos berros e gritos com o pastor levando fiéis a testemunharem num palco, ao que tudo indica, que dizem ter sido curados de doenças como paralisia, câncer, cegueira, derrames e uma profusão de males que os médicos levam meses tratando e sem muitos resultados.
Pegando uma rádio evangélica catarinense, fui prestando atenção nos berros e gritos do pastor, que logo, entre outros testemunhos, trouxe uma missionária da seita para testemunhar um milagre proporcionado pelo Espírito santo. Contou ela que em viagem a serviço da igreja, ao parar num posto para encher o tanque de gasolina, já que o indicador mostrava o fim do combustível, pediu ao frentista para encher o tanque e ele disse que não tinha como, pois o tanque estava tão cheio que quase transbordava.
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Maravilhada a missionária pegou a estrada novamente e então o Espírito Santo, com sua voz inconfundível disse a ela que não a abandonaria jamais e por isso havia feito o tanque ficar cheio de gasolina. Mais berros e aleluias ecoaram ao fundo e pensei comigo mesmo que se Jesus era prodigioso multiplicando pães e peixes, aqui estava o Espírito Santo nos tempos modernos multiplicando gasolina. Sem dúvida a presidente da Petrobrás irá orar pela sua intervenção na estatal, de tão parcos resultados nas refinarias, haja visto que importa gasolina. 
Continuando a ouvir milagreiros e milagres, notei que a recepção não está muito boa. Por vezes perco a descrição de um milagre porque a transmissão fica cheia de ruídos.
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E sintoniza daqui, sintoniza dalí, peguei a rádio com o tão falado pastor David Miranda, que produz tantos milagres de curas de todas as doenças, que custo a crer que na cidade de São Paulo, com tantos milagres por hora, as pessoas ainda percam tempo indo em hospitais e consultórios.
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Mas continuei com a descrição dos milagres atrapalhada pelas interferências, que sem dúvida devem ser obra de Satanás, apresentado pelo pastor como um ser que procura destruir a mensagem cristã.
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E na clássica atuação dos pregadores, depois de apresentar milagres e mais milagres, de transmitir o testemunho de pessoas que jogavam as muletas fora alí mesmo no palco, o pastor não deixou de passar a mensagem de que todos devem depositar o dízimo, falando a conta dos bancos e repetindo a ordem. Quem não der dinheiro vai para o inferno.
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Fiquei pensando nesse Deus tão poderoso, que produz um verdadeiro dilúvio de milagres, mas é incapaz de encher os cofres das suas igrejas com um pingo de dinheiro que seja, onde seus pastores são assim obrigados a pedir dinheiro aos seus fiéis, já que esse deus parece não prestar muita atenção para esses desprezíveis detalhes financeiros. Em todas as rádios, todos os pregadores pediram dinheiro para a glória de Deus. 

Enquanto isso, eu ficava aborrecido com a transmissão que sumia e voltava. Fiquei imaginando se seria muito difícil para Deus fazer o milagre de deixar a transmissão clara e límpida, mas isso não aconteceu.
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Vou ter que providenciar uma antena melhor do que o fio na janela para sintonizar as ondas celestiais.     
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Vellker
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

D38 A melhor mesmo?

Quem será que disse isso...?
Há poucos dias eu estava vendo uma entrevista na televisão onde uma moça que provavelmente deve trabalhar em algum serviço de assistência social dava uma entrevista falando sobre a melhor idade e o cinegrafista mostrava um salão de baile cheio de mulheres e homens de mais ou menos 80 anos, talvez os mais novos. 
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Com todos dançando como se estivessem engessados ou quebrados e com a artrite visível na maioria, a repórter sorria fechando a matéria toda feliz falando sobre a melhor idade, que sinceramente me pergunto, é essa aí? 
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Eu dúvido, pois só de estar chegando perto dela fico arrepiado ao constatar as mudanças que ocorrem no meu corpo. Nem vou falar das moças lindas que um dia vi na praça aqui perto e que hoje, no mesmo caminho, estão simplesmente irreconhecíveis. Mas parece um costume de todos chamar essa idade de "a melhor idade".
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Artrite, problemas cardíacos, diabetes, juntas, músculos e nervos que não funcionam mais, remédios para todos os lados, bengala no lugar de chaveiro e movimentos tão ágeis quanto os de uma múmia e o que é pior, em certos casos a aparência é a mesma. Para azedar as coisas em definitivo, os que estão nessa idade geralmente tomam sopa, mas não porque gostam, é que os dentes caíram, fora outras coisas que já caem bem antes. E chamam isso de a melhor idade?
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Depois de ter chegado aos 57 anos razoavelmente saudável e mesmo assim ter problemas, especialmente de constatar como a gravidade parece aumentar a força dela na medida em que os meses passam, só posso discordar de darem esse nome a uma idade que fez com que os espanhóis quando da  descoberta das Américas passassem anos enfiados no meio  das selvas  procurando a mítica fonte da juventude que tinham ouvido falar em estórias de índios.
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Se essa idade fosse tão boa assim, quem iria perder tempo procurando essa fonte?  

Estando nessa idade ainda, já me parece que essa tal de melhor idade é a mesma coisa que estar no convés de um navio afundando e com o mar cheio de tubarões, cada um atendendo pelo nome de alguma doença que só chega nessa tão falada melhor idade. Geralmente quem fala está longe dela, como a repórter que fazia a matéria. Se essa idade fosse tão boa, as mulheres não comprariam creme para alisar a pele, mas sim para enrugar.
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Nesse quilômetro da estrada da vida e tendo chegado pelo menos com o consolo de uma saúde que se não é perfeita ao menos aceitável para esses tempos, perto de amigos meus que se arrastam atrás de médicos o tempo todo, fico pensando no que existe depois da curva e imagino uma coisa.

Será que não dá para fazer o caminho inverso? De volta para os anos 80? Ou 70?
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Que situação.
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

L13 O milagre gripado

E assim a procissão vai andando...
Por esses dias eu estava vendo uma missa do lado de fora da igreja e foi interessante no momento em que o padre ou diácono, nem sei qual dos dois era, invocava o dom das línguas e começava no maior fervor a falar o linguajar incompreensível que os fiéis católicos e evangélicos dizem ser a língua do Espírito Santo. Enquanto isso os fiéis também começavam a dar gritos e pulos com os braços levantados. Passado o momento mais frenético de tudo, o pregador ainda com a voz alterada, começou a falar em curas, milagres, libertações e tudo mais.
Fui acompanhando a pregação e o pregador não deixou de citar pessoas que ficaram curadas da AIDS, paralíticos que voltaram a andar e coisas do tipo, que é claro, são verdadeiros milagres concedidos a pessoas das quais nunca sabemos o nome e que nunca aparecem para dizer que ficaram curadas. Também nunca moram na cidade de ninguém que as conheça. Mas a crença dos fiéis é inabalável. Na verdade, se formos olhar bem de perto, essa crença não é tão inabalável quanto querem fazer crer. 
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Um pequena notícia no jornal Folha de São Paulo neste dia 13 de julho de 2012, justo uma sexta-feira confirma que os fiéis acreditam sim na proteção divina, no ditado que diz para não se preocuparem com nada que "Deus proverá",  que Deus os protegerá de qualquer perigo e coisas do tipo, mas  por via das dúvidas é bom tomar o remédio, consultar o médico e colocar o cinto de segurança e coisinhas assim. Lógico que aí os fiéis não querem reconhecer, mas nessas horas a crença já está mais para conto do vigário do que qualquer outra coisa.
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Vejamos alguns pequenos detalhes que deixam a fé meio de lado na hora do vamos ver.   
Deus protege os fiéis dizem os padres, que afirmam que sobre qualquer dúvida eles podem contar com a proteção divina. Mas justo na igreja, na chamada casa de Deus, parece que esse ditado não é levado muito a sério. Ou como diz a manchete do jornal, exatamente por medo da gripe A, missas foram suspensas no Rio Grande do Sul. Mas e a proteção divina? O padre não é um dos representantes de Deus na Terra? Nessas horas os fiéis se entreolham sem saber o que fazer. A missa onde os fiéis se abraçam, se beijam e tudo mais está suspensa porque é exatamente o abraço e o beijo de um cristão que podem fazer algum outro ir para o cemitério.
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Quanto ao padre com sua milagrosa imposição das mãos, é exatamente com isso que ele pode enfiar um fiel no hospital quando não no caixão.

A mais desconcertante constatação de que nem mesmo o mais alto sacerdote católico acredita nisso vem do próprio Papa, que diz a seus fiéis no mundo todo que Deus os protegerá, que todos estão sob a proteção divina, que a proteção divina nunca falha e por aí vai.
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Mas o próprio Papa prefere andar num carro com vidros blindados, à prova de atentados. De todos os grandes dignitários religiosos do mundo, o maior sacerdote dos católicos e que alguns acreditam até que seja capaz de milagres, é o único não dispensa o carro blindado e anda sempre dentro dele. É assim o primeiro a mostrar que não acredita no que prega.
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Alguns fiéis ainda dizem que isso é para proteção do Papa, para prevenir, afinal nos dias de hoje, com esses atentados e terroristas a solta, nunca se sabe. Mas ora essa, se o Papa é o representante de Cristo na Terra, o filho mais querido de Deus por essas bandas, não deveria ele então abandonar tudo nas mãos de Deus e andar de braços abertos no meio do seu povo, acontecesse o que acontecesse, que seria de qualquer forma a vontade de Deus?
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Mas o Papa não pensa assim e prefere a segurança do seu papamóvel, que o deixa a salvo de qualquer eventual martírio que poderia sofrer nas mãos de algum desatinado, mas que seria a vontade divina. Mesmo assim o Papa prefere que histórias de martírio fiquem só na biografia de Jesus, de Pedro, de Paulo e outros que tiveram uma morte trágica na senda do cristianismo.   
O Papa acredita que Deus tudo proverá e que Deus a todos protege, mas prefere não arriscar.
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Não é de admirar que os bancos das igrejas católicas estejam se esvaziando e não é por medo da gripe A.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

D37 Mais infiltrados

É a única explicação...
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Continua a ação dos infiltrados nas emissoras de televisão, provocando estragos na audiência  e críticas tão negativas que a criação e produção de certos programas só podem obra de agentes infiltrados por alguma emissora concorrente.
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Já tem mais de uma semana que vai ao ar o programa de Fátima Bernardes na rede Globo, que ao que tudo indica deve ter sido criado como uma espécie de prêmio de consolação pelo fato de a jornalista ter deixado a bancada do Jornal Nacional. Parecendo mais uma reunião de amigas para um chá beneficente, o programa tem despertado antipatia e apatia a tal ponto que os internautas em comentários o chamaram de Encontro com Chátima Bernardes.   
Nesta semana estreou o programa Na Moral, também na rede Globo, apresentado por Pedro Bial. Parece igualmente outro programa criado como prêmio de consolação, já que o apresentador do Big Brother só aparece a cada edição do chamado reality show.
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É um programa de perguntas e respostas ou melhor tentativa de respostas, já que o apresentador fala mais do que locutor de futebol e não deixa o entrevistado responder a pergunta. Também caiu no desagrado dos telespectadores logo na primeira edição.  
Enquanto isso o SBT está em festa. Com a estréia da novela Carrossel, remake da novela mexicana exibida em 1990, o SBT festeja a vice-liderança folgada. Gastando muito pouco dinheiro com seus seriados e desenhos baratos como Chaves, Chapolin e outros do tipo, o SBT vê seus concorrentes amargando baixa audiência em seus programas e o que é pior, gastando muito dinheiro para resultados tão desanimadores. 
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Enquanto isso, a rede Record, depois dos erros cometidos em jornalismo, teledramaturgia e programação em geral e já disputando a penúltima colocação com a TV Cultura, já que a Rede TV não conta, tratou de empurrar sua finada novela Máscaras para o horário da meia-noite, para que o vexame da audiência quase zero seja menor. Como ela é controlada por bispos fiéis ao bispo chefe Edir Macedo, que não admite contestações, a tragicomédia de erros na absurda troca de horários e na inserção de seriados no horário de outros programas anunciados, continua sem alterações.
Continua válida a idéia de diretores de programação infiltrados, tal qual no filme Os Infiltrados, em que um chefe do crime tinha um policial infiltrado em sua quadrilha, ao mesmo tempo em que tinha conseguido infiltrar um dentro da polícia.
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Fica simplesmente impossível de entender como diretores de programação em emissoras que movimentam milhões de reais em faturamento cometam tais erros sem apelar para a idéia de um misterioso chefe de algum canal de televisão, que escondido nas sombras esteja conseguindo tudo isso com seus agentes infiltrado para derrubar a audiência dos concorrentes.
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Pelo jeito, ele conseguiu, tal qual no filme. Ou então estamos assistindo o fim dos canais abertos.   
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

D36 Os infiltrados

Só sendo agente secreto da concorrência...
Prossegue na rede Record uma espécie de novela à parte, que acontece dentro da alta direção da emissora e de trama das menos agradáveis. É simplesmente novelesco o enredo do que ocorre com as mais recentes decisões dos administradores dessa emissora de televisão, que se há algum tempo atrás chegou a provocar perdas visíveis na rede Globo, por hoje se debate numa crise criada justamente por quem deveria elevar a emissora a níveis não alcançados por nenhuma outra estação competidora da rede Globo. -
A "concorrência" é como ordenam os administradores da rede Record que seja chamada sua grande rival, a rede Globo, que hoje com certeza dá risadas dos tropeços que os membros da direção da Record provocaram para si mesmos, para a emissora e para todo um contingente de técnicos, atores, roteiristas e diretores da programação em geral, que se fossem bem aproveitados teriam criado uma nova opção me televisão no Brasil.  

Segundo os comentaristas de jornais e portais da Internet, a rede Record é obrigada a obedecer todas as decisões de seus chefes, oriundos todos da Igreja Universal do Reino de Deus, de onde dá as ordens o chefe deles, o conhecido e auto-intitulado bispo Edir Macedo. Seja lá de quem venha as últimas ordens, não se consegue entender que erros tão primários tenham sido cometidos, deixando sua audiência além de aborrecida, desorientada e sentindo-se no mínimo como a parte menos importante de tudo. O resultado é o que se tem visto, a audiência cai dia a dia e a emissora que chegou a alternar primeiro e segundo lugar com a rede Globo durante mais de um ano, hoje se vê brigando pelo penúltimo lugar com a TV Cultura. -

Nenhuma emissora pode se dar ao luxo de perder uma atriz do porte de uma Bianca Rinaldi, que alicerçou a refilmagem da novela da Globo "Escrava Isaura" com tamanha competência que boa parte da audiência da sua "concorrência" migrou para a rede Record. Aliás, no geral, atores, atrizes, roteiristas e o pessoal da televisão em geral trabalharam tão bem que a rede Record como num passe de mágica tornou-se conhecida no Brasil inteiro. Não é pouco para uma emissora que anbtes só atingia os limites da cidade de São Paulo. 
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Porém, após conseguirem uma posição confortável na teledramaturgia, no jornalismo e nos programas em geral, os bispos chefes da emissora desandaram a encenar uma comédia de erros tão gritantes que não se sabe se são intencionais ou se resultam de uma visão tão obtusa da programação televisiva e ao mesmo tempo desconsideram tanto o telespectador que o resultado só poderia ser essa queda continua de audiência.
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A tal ponto que os ufanísticos comerciais da emissora cantando o refrão "a caminho da liderança" já foram discretamente tirados do ar. 
Existe um filme chamado "Os Infiltrados" onde um chefe do crime sem saber, tem dentro de sua organização um policial infiltrado. Ao mesmo tempo esse chefe tem dentro da polícia, que tudo ignora, um agente seu também infiltrado e a trama roda de forma eletrizante em torno disso.
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Hoje as sequências de erros primários cometidos pelos bispos administradores da rede Record são de tal forma tão inacreditáveis que depois de ver um filme como esse, qualquer telespectador fica pensando se esses bispos, longe de serem bispos em suas igrejas e administradores realmente devotados aos crescimento e contínuo fortalecimento de sua emissora, não seriam na verdade, agentes infiltrados da "concorrência".
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Com o espetáculo absurdo de erros cometidos praticamente todo dia, é a única conclusão a que se consegue chegar. 
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

L12 Grandes expectativas

Grandes expectativas, mas na prática...
Depois de consertar o pequeno rádio que me fala sem parar das coisas da vida, estava eu de novo ouvindo os pregadores da rádio católica Canção Nova. Confesso que é divertido o que se ouve em certas pregações. Em certos momentos os carismáticos destilam seu ódio pelos padres reformistas ou marxistas, os antigos padres da Teologia da Libertação da década de 80, o que é compreensível. Depois do caso do Frei Leonardo Boff, que terminou condenado ao silêncio por ninguém menos do que Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI e na época chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, vertente da igreja que defende a ortodoxia e atraso religioso e social. A Teologia, apesar de ser mais encenação do que verdade irritou o alto clero da Igreja que queria tudo, menos entrar em choque com os grandes latifundiários e os piores e mais atrasados chefes políticos sul-americanos, que sempre lhes garantiram grandes riquezas e leis favoráveis, enquanto que os padres, em contrapartida tratavam de disseminar a ignorância e o conformismo entre os pobres.
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E justo nessa noite estava um pregador a contar que tinha uma reza milagrosa e coisas do tipo. Que uma mulher grávida, que já estava segundo os médicos, com o feto morto no útero e até já em decomposiçào, inconformada pegou um avião até Londres onde estava o pregador, que rezou sobre uma foto da família dessa mulher e milagre dos milagres, o feto voltou à vida, se recompôs dentro do útero e nasceu com perfeita saúde. Custa crer que esse pregador, capaz de ressuscitar até um feto em decomposição não saia pelos hospitais brasileiros curando todos os doentes que agonizam na porta deles, enquanto que a campanha que seus chefes bispos levam aos ares é precisamente sobre a saúde do brasileiro. Isso ele deixa para o Espírito Santo.
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Um pouco antes, um outro pregador falava dos momentos em que orava a Deus pedindo a ele que o usasse para curar aleijados, ressucitar pessoas e fazer grandes milagres. E logo após contar essa estória, desatou a abençoar as pessoas dizendo que quem estivesse com dor nas costas, dor nos braços, dor nas pernas e outras dores conhecidas dos farmacêuticos, agora em nome de Jesus estava curado. Mas sobre ressuscitar alguém, não disse nada. 
Todos nós temos grandes expectativas na vida, sem dúvida, mas convenhamos que de colocar-se no rol dos ungidos para ressuscitar pessoas e terminar curando dores do lombo, do pescoço e das pernas, é no mínimo decepcionante. É como encontrar uma pedra dourada que se acredita ser ouro e depois descobrir que apenas foi pintada de dourado com tinta barata.
E depois de certo tempo, entrou um pregador desses que fala a língua do Espírito santo, o que eles dizem ser o dom de línguas. Notei que houve um progresso na língua que o Espírito Santo fala aos seus fiéis. Quem ouvir essas pregações, ouvirá o Espírito santo dizendo o seguinte e interminável refrão "Ala-bala-ba-ala-re-a-la-lá" com algumas variações, mas que lembra muito as músicas da Xuxa, com seu conhecido "ila-ri-ê" que foi sucesso entre os baixinhos na década de 90. Pois nessa noite o Espírito Santo decidiu talvez deixar o sotaque do pregador mudar seu jeito de falar. Ouvi o pregador a falar, ou melhor, como dizem o Espírito Santo falando desta vez da seguinte forma "Ô-cho-ro-chô-cho-rô-mo-le-le" e por aí foi um bom tempo.
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Sempre me pergunto porque o Espírito Santo, que segundo os crentes é o próprio Deus tem a pachorra de descer até a Terra e falar para seus filhos nessa linguagem incompreensível, ao invés de por exemplo, de forma beatífica e enternecedora repetir um sermão que tocasse todos os corações em palavras claras e plenamente compreensíveis. Mas os fiéis tem uma explicação quando questionados sobre isso. Dizem que isso é o dom das línguas e não importa que ninguém entenda nada. Nas reuniões dos fiéis, depois de ouvirem esse chororô todo, eles sabem exatamente o que devem fazer, pois isso lhes foi revelado através dessas contorsões verbais, consideradas revelações divinas, se bem que nem o Papa seja capaz de entender nada do que foi dito.    
E assim continuam as pregações, que confesso, são interessantes de se ouvir. Grandes expectativas, mas na pratica, nem tanto. Apenas contorsões e malabarismos verbais e milagres relatados de pessoas com todo tipo de doenças curadas, mas dentro de hospitais, nunca ao vivo no palco onde estão os pregadores. São coisas da vida. E das grandes expectativas.
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sábado, 5 de maio de 2012

L11 O milagre que faltou

Só uma gota...
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Com o radinho de pilha ligado outra noite enquanto apertava uns parafusos numa peça, fui ouvindo como sempre a pregação de um padre que já tinha ouvido na rádio católica Canção Nova. O que sempre notei em suas pregações foi o tom de um pregador que apesar do verniz de modernidade, trazia intolerância contra os não crentes de sua fé. Contra os ateus como eu, desprezo, mas é parte da sua pregação durante os programas e sem maiores alardes porque hoje o politicamente correto abusa da sua existência, já meio desgastada.  

Como sempre falou o pregador, Ave Maria, Jesus, incontáveis santos e o próprio Deus traziam para os fiéis a cura de qualquer doença, libertação de problemas de todo tipo e tantas benesses que impressionam qualquer um, se bem que o estilo de pregação dos carismáticos católicos foi tomado de empréstimo dos pregadores evangélicos.   

Sendo uma característica universal do ser humano racionalizar a existência de um mundo espiritual futuro onde as misérias de sua vida atual serão transformadas em compensações e os bons estarão num paraíso e os maus estarão no que idealizam como inferno, óbvio que os pregadores falam nas rádios tanto católicas quanto evangélicas de curas e prodígios que ficam, claro, eternamente sem comprovação. Nessa noite o pregador aludia aos milagres de santos católicos, da Ave Maria pelo mundo, dos milagres em santuários católicos, falava da visita do papa João Paulo ll no Brasil e continuava sua pregação dizendo que na frente do papa aqui no Brasil ficaram os leprosos, os paralíticos em cadeiras de rodas e coisas assim. Para o ouvinte atento surgia aí um hiato interessante. Em nenhum momento ele falou que o papa curou esses doentes. Mas continuou a pregação e a platéia aplaudiu. 
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Foi aí que notei que certas datas e a forma que ele falava só podiam ser de uma gravação. Falava de coisas passadas, anos passados como se fosse no ano passado. Eram então gravações todas as vezes em que o ouvi. Fiquei surpreso de não ter percebido antes. Depois, com a exortação dele de curas, milagres e veneração a todos os santos, entrou outro locutor dizendo que os ouvintes tinham acompanhado a pregação do tão falado padre Léo. Ora, aí é que fui entender. E aí também que pude ver mais uma vez a extensão da tragédia que se abate sobre os crentes em geral, quando são atingidos pelas dores que afligem qualquer pessoa. E abandonados pelos seus santos.
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Doutrinados por seus padres e pastores, os fiéis acreditam de todas as formas nos milagres e curas, que claro, são sempre sem comprovação. Falam apenas, contam nebulosas estórias de uma época que ninguém viveu, milagres em que nomes não existem e de curas milagrosas em algum lugar remoto. Pior ainda, os milagres reportados por esses pregadores com testemunhas vivas e presentes no palco, invariavelmente trazem a sina de terem ocorrido dentro de um hospital ou enquanto o fiel milagrosamente curado recebia tratamento médico ou era operado. Não há um único relato de um fiel sem pernas perdidas num desastre que depois de orar tivesse tido a graça de acordar com elas refeitas novamente. Ou de um cego sem olhos, perdidos em algum acidente que tenha subitamente passado a ver com olhos novos, fazendo com que todos a seu redor caíssem de joelhos e convertidos. Nada semelhante.  Eu mesmo se visse um milagre desses me converteria.              
Enquanto rememorava a pregação sobre curas e milagres do padre Léo me lembrei do papa João Paulo ll, cuja doença e agonia foi vista por milhões de pessoas no planeta, mostradas pela televisão, inclusive o dramático momento em que atingido pela doença contorceu-se de dor na frente dos seus fiéis no Vaticano em Roma. Durante a sua doença, ao invés de ir em seus santuários católicos de onde se contam milagres e mais milagres, o papa foi para as melhores clínicas de Roma. Mas se as curas em Lourdes, em Medjugorge são tantas, porque não ir num lugar desses, orar e esperar pela graça divina? 
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Que efeito não teria um papa surgindo curado e refeito de sua doença pelas mãos do Espírito Santo, de Jesus, de Deus, da Ave Maria tão venerada ou de qualquer outro santo que fosse? Milhões de pessoas cairiam de joelhos, religiões inteiras do mundo mudariam para o catolicismo, mas nada. O papa seguiu seu calvário sem cura. E no momento final, não o vimos milagrosamente elevado aos céus, iluminado pela luz divina, com o que proclamaria o poder do seu deus e sua vitória contra a morte carnal. Morreu mesmo, como qualquer mortal ou qualquer descrente.
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O que não deixa de doer na consciência dos fiéis e que eles não admitem para ninguém e ficam tentando espantar esse pensamento de si mesmos, é a relembrança dos momentos em que seus pregadores sempre culpam os próprios fiéis por não terem sido abençoados com uma graça. Se a cura não veio é porque o fiel não teve fé. Se a graça não foi alcançada é porque o irmão não deixou Deus chegar até ele. E por aí vão os pregadores no momento em que tudo está bem, até que sejam eles também atingidos pelo mesmo mal que contemplam.
Me lembrei então que o pregador, o padre Léo passou mal e foi diagnosticado com câncer pouco tempo depois. Imagino a cruzada de orações que deve ter sido de novo a sina dos fiéis, orando pela intercessão da Ave Maria em favor do seu pregador, que anunciando cura atrás de cura nos seus programas se via agora abatido com essa doença. E nenhuma resposta veio dos santos. Apenas o trabalho dos médicos teve algum resultado. Nenhum santuário foi procurado pelo padre, nenhum milagre aconteceu afinal. 
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A doença seguiu seu curso e no final ele ainda pôde rezar uma missa bem debilitado e depois disso a morte cobrou seu preço. De novo a decepção silenciosa dos fiéis, que não admitem uns para os outros, nem para si mesmos que seu pregador tão próximo de Deus, de Jesus, da Ave Maria e testemunha de tantas curas e milagres foi no momento mais decisivo abandonado pelos seus santos. É a triste verdade que emerge desses fatos.   
Muitas vezes penso nesses acontecimentos. A esse Deus tão poderoso que abriu o Mar Vermelho para seu povo eleito passar, um milagre como esse teria sido uma coisa tão simples. Para Jesus também. E para a Ave Maria, teria sido por um simples dela olhar sobre seu sacerdote desvalido que ele estaria curado.
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No entanto, todas essas divindades, toda essa constelação de santos, com todo esse poder de curas e milagres, não deram desse imenso poder uma gota que fosse para salvar um dos seus mais ardorosos pregadores.
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Em certos momentos a crença é mais dura do que a descrença.
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Vellker
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sábado, 3 de março de 2012

D35 São Paulo não é Estocolmo

Mas os ciclistas paulistanos continuam achando que é...
Morreu ontem na Avenida Paulista mais uma ciclista paulistana, no clássico roteiro desses acontecimentos. Andando de bicicleta no meio de uma via expressa, com carros se digladiando num trânsito caótico, após discutir com outro motorista que avançou para cima dela, terminou se distraindo ao chamar a atenção do motorista, perdeu o equilíbrio e caiu na frente de um ônibus que trafegava no sentido correto, em velocidade correta para e trecho e o mais importante, o motorista mantinha o veículo perfeitamente colocado na faixa destinada aos ônibus, sendo que a ciclista é que se desequilibrou e caiu bem na frente do ônibus, com o que o motorista nada pôde fazer. Lamentemos pela perda dessa vida, tão cheia de promessas.
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Conforme o relato das testemunhas, tanto dentro como fora do ônibus, o motorista dirigia em velocidade normal e pôde apenas frear o ônibus depois de acontecido o acidente. Na foto feita pelos repórteres após o acidente, vê-se o ônibus perfeitamente posicionado no corredor que é destinado a ele e parado a poucos metros do local do atropelamento, o que mostra que sua velocidade era normal para o trajeto. O motorista mal conseguindo falar depois de tudo, ficou em estado de choque olhando o resultado de tudo aquilo.

Na verdade, o motorista ficou olhando o resultado do modo como os ciclistas paulistanos encaram o trânsito de São Paulo. Encaram como se fosse o trânsito de Estocolmo, na Suécia, onde uma legião de ciclistas anda tranquila nas faixas das ruas destinadas aos ciclistas enquanto que os veículos de todos os tamanhos andam tranquilos em suas pistas e ninguém machuca ninguém. E os ciclistas de São Paulo, mesmo sabendo do perigo, saem andando no meio dessa arena de gladiadores motorizados como se fossem invulneráveis a tudo isso, em nome da "liberdade de transitar". O resultado só pode ser esse. E tanto é que dos inúmeros casos diários de ciclistas atropelados, apenas um ou outro vira notícia, talvez porque haja uma equipe de jornalismo por perto, como foi neste caso. O resto vira apenas estatística dos acidentes de trânsito.
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Andar de bicicleta no meio do trânsito de São Paulo só se compara a fazer uma roleta russa, com a diferença de que na roleta russa o sujeito tem mais chances de sobreviver. Morei em São Paulo por alguns anos. Fui do interior para a dita metrópole e na mudança levei minha bicicleta, afinal tinha ouvido falar das manhãs de domingo onde todos andam de bicicleta pelos parques. Assim que fui vendo como era o trânsito por lá, ao ver como como os carros e ônibus se jogavam uns em cima dos outros e como faziam os pedestres darem pulos para escaparem por pouco de serem atropelados, não tive dúvida. Em todos os anos em que morei em São Paulo, deixei minha bicicleta bem guardada num canto do meu apartamento. A dita cuja rodou em São Paulo apenas da calçada até o apartamento e anos depois do apartamento até o caminhão de mudança para o interior, onde hoje roda tranquila.
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Cansei de ver ciclistas descendo a Rua da Consolação disputando espaço com ônibus e caminhões, vi ciclistas indo de um lado para o outro perto da Praça da Sé, outros fazendo voltas na Praça da República como se carros e ônibus estivessem em outra pista. Com as reportagens que volta e meia eram mostradas na televisão sobre acidentes com ciclistas, em momento algum me arrependi de ter deixado minha bicicleta bem guardada.
Podemos fazer uma comparação com países que foram atingidos por guerras civis e tiveram muitas partes do seu território minadas e tornadas perigosas, mortais mesmo para que alguém caminhe por lá. Hoje soldados especializados olham cada metro do terreno e vão localizando e desativando as minas, uma a uma. Ninguém, por mais corajoso que seja, vai sair andando nesses campos minados em nome "da liberdade de caminhar".
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Pois os ciclistas de São Paulo, em nome da tal "liberdade de transitar" tem uma atitude semelhante à de andar aos pulos num campo minado. O que é que um sujeito montado em cima de uma bicicleta de 1,5 mt. de comprimento com uns 5 quilos de peso vai fazer no meio de ônibus e caminhões de 10 mts. de comprimento e 5 toneladas de peso?
Quase sempre, pelo que vemos nos noticiários, vai parar embaixo deles. É uma pena que isso ainda aconteça, mas também é uma imprudência e das suicidas andar de bicicleta numa cidade como São Paulo, com o trânsito que tem, que mais parece uma arena de gladiadores motorizados.
Um dia São Paulo vai ter um trânsito como o de Estocolmo, onde ciclistas e motoristas irão conviver em paz.
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Se até esse dia ainda existirem ciclistas em São Paulo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

D34 Caminhada de volta

Como eu disse, no sentido contrário...
Voltei hoje para caminhar na pista no sentido contrário para ver a fila de carros de volta para São Paulo.
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Surpresa total. Poucos carros, nem parecia fim de feriadão. Acho que todo mundo decidiu voltar bem antes. Ou então emendaram uma boa conversa depois do almoço para voltarem mais tarde. O sol estava escondido por trás das nuvens aparecendo de vez em quando. Até a fábrica que normalmente está com as chaminés a pleno vapor, parecia abandonada. Típica terça-feira de fim de carnaval mesmo.
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Voltei, coloquei a roupa de molho e enquanto ouvia as beatas cantando na igrejinha, fui ver algumas imagens dos jornais sobre a movimentação no feriadão.
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Aí separei algumas delas, imaginando alguma situação aflitiva, já que no meio do caminho, quando fui beber água, descobri que tinha levado as garrafas de água vazias da primeira caminhada. E eu com a boca mais seca do que o asfalto. Que coisa.
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E fiquei imaginando o que pode acontecer em estradas inacreditavelmente congestionadas nesses dias, tanto na ida como na volta. E juntei algumas fotos com a idéia de algumas possíveis situações.
- Acalme-se vizinho, estou aqui no meio da estrada. Fale mais devagar. O celular está com o som ruim...As portas da minha casa estão abertas? Parece gente estranha na minha casa?
O quê...? Um sujeito saiu com minha televisão embaixo do braço...? De carona com outro que está levando minha moto...?

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- Mas querida...Você me disse que o pessoal da oficina te falou que a revisão do carro estava completa. Ou a gasolina evaporou sozinha de dentro do tanque ou esse medidor está parado na marca de cheio desde que saímos...
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- Não acredito, peguei logo as passagens velhas da viagem da semana passada...E agora...?
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- Mas amor...Você não disse que tinha posto a carteira no bolso da calça...? Estava tudo lá...Passagens, cartões de crédito, dinheiro...Deixei tudo certinho nela, em cima da estante...
Ah, você pegou a carteira velha que estava no guarda- roupa...? Essa estava vazia mesmo...

Eu coloquei tudo certinho naquela nova que te dei de presente...

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- O funcionário da empresa de ônibus disse que o ônibus reserva quebrou quando saiu da garagem...Parece que era o último que eles tinham...
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- Ô minha sogra querida...Então você vai ficar mesmo esse mês todo lá em casa...? E sua irmã também vai...? Ah, que maravilha...
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- Querido...Eu não disse que essa oficina era uma bagunça...?
O estepe que colocaram no
porta-malas não tem nada a ver com o nosso carro...
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n
Fico imaginando. Esquecer as garrafas de água, tudo bem. Mas uma dessas, que dureza.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

D33 Caminhada

É bom ver a fila de carros...
A fila de carros na saída de São Paulo. Não seria uma má idéia ficar em casa.
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Mais um feriadão, o do Carnaval e lá vem a fila de carros, coisa mais divertida de se ver do que se pode imaginar.

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Agora de tarde, sol quente, caminho pelo asfalto, afinal o caminho é regular, melhor do que trilhas que incomodam com barrancos para todo lado. Além disso o calor que o asfalto exala força o corpo num exercício para valer mesmo. Olho de um lado da estrada e tem um ou outro carro, olho do lado que vem de São Paulo e tem uma fila impressionante. É divertido ver o que chamo de a clássica família paulistana. Mecanizada, enlatada e sempre viajando para o interior na primeira chance que aparece. Enquanto isso caminho pelo acostamento curtindo um maravilhoso sol de 37°C e toca a olhar a fila de carros e toca todo mundo que passa a olhar para mim pensando que eu devo estar indo a pé para São Paulo. É divertido.
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Mas de manhã, procurando algumas ferramentas para uma pequena reforma aqui em casa, fui no ferro velho, delícia de passeio. Passear pelas ruas da cidade até que é divertido, mas passear no ferro velho é melhor ainda. Enquanto procuro uma ferramenta aqui, outra alí, olho para aquela profusão de peças e me maravilho. Rolemãs, engrenagens, transmissões, sistemas hidráulicos e na minha mente vai surgindo a idéia de montar algum tipo de máquina. Acabo separando um tanque de pressão tirado de algum caminhão, vai dar um compressor e tanto, mais tarde venho pegar, além disso os preços são praticamente um presente. Depois uma pequena manutenção, uma mão de tinta e pronto, tudo funciona, desde que bem planejado. É, passear no ferro velho é melhor do que passear na Disneylândia. -
Uma linda pilha de peças para montar. É só saber como.
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Nem acredito que na segunda feira estarei lá de novo, afinal, nesse sábado o pessoal já estava parando, mas ganhei uma aula grátis sobre prensagem de metais. Olhei aquela prensa enorme transformando metais velhos num bloco que vai para a siderúrgica. Que legal.

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Voltando em casa preparei mais algumas coisas que vou arrumar na reforma, fiz uma pequena refeição, passei a mão na cabeça do cachorro, que coitado, está velhinho e não aguenta mais essas caminhadas e aí tomei o rumo da estrada. Um maravilhoso sol queimava a cabeça de todos. O calor estava tão forte que ao chegar no asfalto imaginei que iria encontrar tropas da Legião Estrangeira também passeando por alí.
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Enquanto caminhava quilômetro a quilômetro, fui vendo o desfile de carros agora bem velozes, já que a saída de São Paulo ficou bem para trás. De relance dá para ver as famílias metropolitanas indo tomar um refresco no interior. O marido dirigindo, a mulher do lado, no banco traseiro três figuras, uma delas de cabelos brancos, aposto que é a avó dos dois pimpolhos. E deve ser um filho e uma filha, já que o carro que passou levava no teto uma bicicleta preta e outra cor de rosa, só pode ser. E é aquela fila de carros passando, fora os caminhões numa velocidade de fazer meu boné voar às vezes. Fico sem saber se os carros correm porque querem chegar logo na casa dos parentes ou se é porque os caminhões vem atrás com dezenas de toneladas de carga que freio nenhum vai segurar. Quando não fogem de assaltantes em São Paulo, correm de jamantas no interior, que divertido.
Uma maravilhosa fila de carros no congestionamento da multidão que vai para a praia. O sujeito no volante, a mulher reclamando, a sogra falando em passar um mês na casa dele, os filhos brigando e o cachorrinho latindo. E chamam isso de viagem de lazer. Que legal.
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Enquanto isso, entre uma música e outra, escuto no radinho que as estradas para as praias paulistas tem lentidão e em alguns pontos os carros estão parados. Deve ser frustrante. O sujeito entra na concessionária, olha os modelos, escolhe aquele carro que vai de zero a cem quilômetros em 10 segundos e depois fica andando a 5 quilômetros por hora numa fila interminável, que mais parece um cortejo fúnebre do que viagem numa autopista, que legal. E quando chega, encontra o mesmo cortejo no posto de gasolina, no hotel, na padaria, no restaurante, no supermercado e na praia mesmo. Que situação.
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A mulher que amo continua em meus pensamentos. Ela já me prometeu que vai fazer essa caminhada comigo. Chego no sétimo quilômetro, paro e olho a subida que deixei para trás e penso no que ela vai dizer quando estivermos por aqui logo logo e ao olhar a próxima curva, vai descobrir que faltam ainda alguns quilometrozinhos a mais. Sem contar o sol que agora deve estar uns 40°C. Mas vamos em frente.
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Ah, chegou a pausa que refresca. Só tenho uma garrafa de água, mas já cheguei no bosque, que dá uma sombra deliciosa, fora a gostosura que é encher os pulmões com esse ar fresco com perfume de eucalipto. Penso nas pessoas na cidade grande espremidas dentro de trens, dentro de ônibus fumacentos, enlatadas dentro do metrô e fico imaginando quantas pessoas devem vez ou outra ter um treco dentro daquilo tudo.
Bosque. Ar puro, sombra e meditações. E ao longe a fila de carros passando.
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Paro um pouco no bosque, admiro toda aquela natureza, aquela paz e depois me lembro que na segunda feira vou no ferro velho pegar meu tanque para fazer o compressor. Passear no ferro velho, passear na pista com esse sol, chegar em casa e passar a mão na cabeça do cachorro que vem me receber, tomar um refresco e depois tirar as botas.

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Na terça feira faço o caminho contrário para ver o povo voltando para a cidade grande.
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É, realmente é mais divertido do que passear na Disneylândia.