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segunda-feira, 21 de abril de 2014

D42 As lindas atrizes que namorei

Namorei três mulheres lindas. E eram todas de Hollywood...
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Parece difícil acreditar, mas namorei três lindas atrizes de Hollywood, nas décadas de 70 e 80. Bem, tecnicamente é um namoro, se bem que elas não estivessem a par do caso.
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Na época eu era tímido demais para começar um namoro, então meio que parecido com um personagem dos filmes de Woody Allen, eu namorava nos devaneios, daqueles que a gente tem quando está parado em algum lugar ou meio dormindo e meio acordado.
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Como na Internet podemos ver as figuras do passado e do presente, fui ver como estavam as minhas namoradas daqueles tempos.
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Cindy Williams foi a primeira dessas namoradas. Quando a vi no filme American Grafitti, na hora caí de amores por ela. Embalou meus sonhos um tempão. Eu até sonhava que tinha um carrão daqueles também.
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A segunda atriz que namorei foi Lisa Eilbacher. Que linda. Apareceu no filme Um Tira da Pesada. Impossível não se apaixonar por uma beleza daquelas.
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A terceira que namorei foi Nancy Allen, linda de tudo e que apareceu no filme Robocop, suave e graciosa. Caí apaixonado.
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Aí aproveitei e fui ver como estavam minhas lindas namoradas  nos dias de hoje. Antes não tivesse olhado. Como o tempo é cruel.
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É certo que o tempo é um mestre em fazer com que os vinhos fiquem divinamente melhores com o passar dos anos, mas no caso dessas mulheres lindas, o tempo erra feio.
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Parece mais um aprendiz de escultor que se meteu a reesculpir uma obra prima angelical e errou feio. Talvez o tempo não seja cruel, talvez seja apenas desastrado.
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De qualquer forma ele deveria apenas cuidar do envelhecimento de vinhos, já essas lindas mulheres ele deveria deixar intocadas.
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São coisas da vida. Vou guardar a lembrança das minhas lindas namoradas no pensamento daquele tempo.
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Vellker

sexta-feira, 11 de abril de 2014

D41 A bela natureza

E eu fiquei tão embevecido...
Ontem testemunhei uma dessas ocasionais visões de como a natureza é bela. Já morei em cidades grandes onde a única visão que eu tinha da Lua, era uma ou outra ocasional aparição dela, entre as nuvens de chuva durante a noite ou meio embaçada pela poluição mesmo. Estrelas então, só se via umas duas ou três mais teimosas. Passarinhos, poucos, por sorte e olhe lá.
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Pois ontem tive o privilégio de chegar na cozinha e contemplar uma das belezas da natureza. Um passarinho tinha voado até o pratinho onde eu havia comido bolachas e feliz da vida, bicava os pedacinhos das bolachas.
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Já estava eu todo embevecido com o espetáculo, quando o passarinho me viu e voou rápido porta afora. Mas ao fazer isso, deixou uma bela gosma de despedida no meu prato. Ora essa, a natureza não é tão perfeita assim. Que passarinho mal educado, ingrato.
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Pensei no primeiro momento em comprar um estilingue, mas depois me acalmei. Afinal, sabe-se lá se isso não é uma forma do bichinho dizer que gostou da comida. Seja lá como for, hoje ele voltou, se perdeu voando pela sala e depois achou a saída. mas deixou tudo limpo.
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Já é uma grande coisa.
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Vellker


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

D39 O piloto do prédio

Somente para pessoas arrojadas...

Saiu por esses dias reportagem sobre a construção de prédios com quitinetes de luxo com o inacreditável tamanho de 30 metros quadrados, algumas até maiores, coisa que se as quitinetes antigas tinham e até mais, ao menos tinham um preço decente.
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Pois pela inacreditável quantia de 400 mil reais, o tresloucado comprador será o feliz proprietário dessa pequena cabine chamada de apartamento, com certeza uma visão bem humorada das construtoras.
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Como a venda só se consuma com a construtora geralmente adulando o comprador, os representantes das construtoras se desmancham em elogios aos possíveis compradores, que segundo eles são pessoas arrojadas, refinadas, da elite, que querem o melhor e mais frases do tipo que todo estelionatário usa para deixar sua vítima mansa até fazê-la assinar algum cheque em branco.
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Dizem também que neste apartamento a pessoa tem uma experiência incrível, que não tem em apartamentos maiores, deixando entrever que ter um apartamento maior é coisa nada arrojada e quem sabe coisa de gente nada arrojada também. Sendo assim, somente pessoas arrojadas e refinadas quererão viver em tal aperto, que faria até uma pulga se sentir pouco à vontade, mas o arrojo tem seu preço.
Com as fotos que foram publicadas nos jornais pode-se ter uma ideía do apartamento, que com certeza levará seu morador a ter experiências que num apartamento grande seriam impossíveis. O desenho e espaço das quitinetes foram, segundo os construtores, inspirados em cabines de aviões.
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Segundo os construtores, o espaço sem paredes sugere uma uma requintada e total vivência  do espaço disponível. Sem dúvida. Com a namorada no apartamento e sem a privacidade de poder atender ao telefone sossegado, o sujeito atenderá somente chamadas da mãe dele, da mãe da namorada e todas as outras chamadas serão engano, mesmo que sejam da outra namorada dele. Que experiência e tanto pela falta de paredes.    
Na sala pode-se pular da cadeira para o sofá apenas rebolando um pouco para o lado. E como se pode ver pela foto, outra experiência inédita é a de tentar abrir o jornal na sala ou melhor, micro-sala. E pelo tamanho da cozinha, intui-se outra experiência inesquecível, a de abrir o forno micro-ondas enquanto o armário atrás está aberto.
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Outra vivência marcante neste apartamento é a fidelidade conjugal. Não tem paredes, não tem armários, o banheiro não dá para usar de esconderijo, embaixo da cama não dá para entrar, ou seja, esse apartamento preserva a fidelidade conjugal porque o adúltero ou a adúltera não tem onde se esconder se o cônjuge traído começar a bater na porta aos berros. É fidelidade conjugal garantida por parte do morador. 
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Outras vivências inesquecíveis serão receber visitas no corredor, porque dentro do apartamento é impossível. Deixar os livros na casa dos parentes, roupas na casa da mãe e coisas assim, porque lá dentro só a roupa do corpo e algum livrinho pequeno. Malas ou bolsas nem pensar, o morador só vai usar pochetes. Vivências maravilhosas como dizem as construtoras.
O banheiro é um primor de racionalidade. Atende aos requisitos descritos por um entusiasmado construtor que disse que um dos conceitos das novas quitinetes é o de aproveitar cada centímetro quadrado do espaço. Pelo desenho do banheiro, devem ter pensado em milímetros quadrados ou alguém entregou a planta errada ao pedreiro que construiu o prédio.
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No caso de uma dor de barriga imprevista ou de uma flatulência fora de hora, o morador passará pela experiência inédita de não poder abrir a porta do banheiro enquanto sua namorada termina de arrumar a mesa esperando pelo romântico jantar à luz de velas, no caso de uma vela só, pois é o que cabe numa mesa de meio metro quadrado. Ou, apesar de romântico, apenas um jantar de salgadinhos em pratinhos de plástico descartáveis, porque pelo tamanho da cozinha, vai ser difícil colocar coisa maior do que isso lá dentro. 
E pela ínfima soma de 400 mil reais, o feliz comprador desse espaço amazônico adaptado para o tamanho de um cachorrinho de estimação, será assim levado a sentir experiências de vivência espacial inéditas e só proporcionadas por espaços requintados como banheiros de submarinos, cabines de aviões e por fim, dos vagões do metrô nos horários de pico.
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Que maravilha.
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Vellker
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quinta-feira, 17 de maio de 2012

R51 O tempo não para

Como na música...
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Saiu hoje a notícia da morte de uma cantora americana. Lamentei a morte e lembrando dela comecei a recordar muita coisa do passado. Uma delas é como vamos aprendendo a ver que, como dizia uma canção, o tempo não para.   
Leva tempo para ver isso e uma das coisas que vemos é como o tempo não poupa ninguém. Homens e mulheres veem o dito cujo passar implacável e levar com ele muita coisa nossa.
Ao longo dos anos começamos a notar no espelho que de forma incômoda começam a cair os cabelos. Nem todo mundo passa por isso, só a maioria do homens. Alguns amigos meus mais precavidos e para poupar tempo talvez, já trataram de perder os cabelos pouquinho depois dos 20 anos. Eu pelo menos ainda uso o pente.
Com o tempo avançando, outras coisas começam a cair. A parte de baixo do queixo, a barriga que teima em sair por baixo da camisa e olhamos as fotos de 30 anos atrás e nem acreditamos que tínhamos aquela barriga retinha. O pior é que outras coisas que deveriam ficar em pé começam a cair também nos momentos mais inesperados.
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Vemos aquela moça linda que era nossa paixão secreta também de 30 anos atrás e que íamos olhar na praça a noite. E hoje olhamos para ela e não acreditamos no que vemos. Como ela conseguiu ficar desse tamanho?
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Ficamos mais virtuosos como dizia um escritor mas não porque ficamos bonzinhos. É que trocamos a leitura dos rótulos das garrafas de cerveja nas noitadas pela leitura das bulas de remédios antes de dormir. 
E depois começamos a ver aqueles fantásticos artistas de cinema de filmes maravilhosos que assistimos e que foram demais em peripécias, começamos a ver cantores maravilhosos que embalaram nossas mais quentes e divertidas noites e onde vemos todos eles? 
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No noticiário que mostra nossos queridos artistas  sendo levados para o cemitério depois do velório onde foram lembrados pelos grandes filmes e pelas grandes músicas. Nós na platéia começamos a sentir que não estamos muito longe de vê-los novamente, só que não vai ser nesse mundo.
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E a vida prossegue com essas constatações. Saímos na rua e crianças muito sensíveis para o drama nos chamam de "tio". Apenas para não dizerem "ô vô, que horas são".
Por falar nisso, aquele cantor que cantava a música que dizia que o tempo não para, não sei se sabem, já morreu também. É, o tempo não para.
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Ô tempo cruel.
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quarta-feira, 14 de março de 2012

R47 O Oscar também enferruja

Nem consigo acreditar...
O Oscar também enferruja. Pelo menos o que um dia achamos que valia um Oscar em nós
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Com a última cerimônia de entrega do Oscar, decidi dar uma passada nas imagens de filmes memoráveis e que mostravam feitos heróicos dos vários personagens interpretados por ninguém menos do que Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. Ora, nas décadas de 80 e 90, eles protagonizaram sempre personagens do bem, fortes, invencíveis e inspiradores de milhões de cinéfilos.
Heróis imbatíveis, invencíveis e que julgávamos eternos. No hospital fazendo exames. Não é possível
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O problema é que logo depois de navegar por algumas imagens dos melhores filmes dos dois, topei com a notícia e a imagem deles internados no mesmo hospital para exames. Coisas da vida. Cheios de tubinhos de soro e medidores disso e daquilo, os nossos heróis de carne e osso que enfrentavam batalhões de inimigos e monstros alienígenas, cheios de machucados mas ainda em pé e atirando bravamente e sempre vencendo no final, mostravam que são realmente de carne e osso. Como o tempo é cruel.
1985. Que sujeito não saia do cinema pensando em treinar como um Rambo? Já 27 anos depois, é outra coisa
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Em 1985 todos em silêncio viam Sylvester Stallone na pele de Rambo entrando destemido num campo de prisioneiros no Vietnã do Norte, onde maldosos soldados inimigos o faziam retornar a uma guerra que vivera há tanto tempo. Pior ainda, russos mais maldosos ainda tornavam tudo mais difícil para o nosso herói, que no final conseguia derrotar todos os inimigos e nos levava para um final feliz.
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Depois de saírem do cinema, boa parte dos espectadores procurava a primeira academia de musculação pensando em se olhar no espelho algum tempo depois, sem dever nada à figura musculosa do herói que alguns minutos antes deixara todos inspirados.
1987. Depois de ver o filme, qualquer um saía do cinema procurando a primeira porta de academia de musculação. 25 anos depois procuramos anti-inflamatórios na farmácia
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Em 1987 quem não ficou se retorcendo na cadeira quando o alienígena caçador de seres humanos, maldosíssimo e perverso caminhou os últimos passos para enfim matar o major Alan, interpretado por Arnold Schwarzenegger, último sobrevivente de todo o pelotão, mas que ainda assim tinha uma última cartada para se salvar?
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Todos os admiradores do herói saíam do cinema procurando novamente a porta da academia de musculação, onde tinham entrado dois anos antes, feito várias perguntas, tinham prometido começar no outro dia e nunca mais tinham voltado, mas dessa vez saíam do cinema com a firme determinação de se matricularem mesmo. Dessa vez era verdade, sério mesmo.
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Seria o fim daquela vida de só erguer copo de refrigerante e balde de pipoca no cinema enquanto os heróis davam o sangue lutando, eram o que os mais afoitos pensavam enquanto caminhavam resolutos até a academia. Pena que a lanchonete ficasse no meio do caminho, com todos aqueles salgadinhos e sanduíches à mostra no balcão. Ora, que mal faria uma paradinha só, a última para comer mais uns quibes, pastéis e beber mais um copão de refrigerante. Era só a despedida de tudo aquilo.

1982. Oito anos antes, Macgyver e suas peripécias nos faziam pensar em entrar para algum serviço secreto
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Relembrando essas coisas, no meio disso tudo, pensando em como realmente o Oscar pega ferrugem, aproveitei para olhar alguma coisa sobre Macgyver, interpretado por Richard Dean Anderson, que se não era um Hércules invencível e ainda por cima era do batalhão de heróis anti-armas e que desarmado era capaz de improvisar as mais inacreditáveis engenhocas e truques usando de cadarço de sapatos para desativar uma mina até produtos de limpeza para imobilizar um assaltante, nos fazia acreditar que sim, seríamos capazes também de fazermos truques geniais como ele. Algum dia, é claro, em alguma emergência. Enquanto isso só o cadeado enroscado nos deixava para fora de casa e tínhamos que tocar a campainha para abrirem a porta. Mas sem dúvida tínhamos essa genialidade do Macgyver dentro de nós, reservada para momentos cinematográficos.
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E depois, em pleno sábado, dia de bailinhos e coisas assim, ainda por cima podíamos ao menos tentar deixar o topete parecido com o dele antes de irmos para a praça dar um passeio e ver as garotas, muitas das quais hoje vemos com o número do manequim vários números acima do que elas usavam na época. E bota número nisso. Pensando nisso tudo, preferi nem olhar as atrizes belas e sensuais daquela época para não ter nenhuma surpresa parecida.
2012. Enfim, o tempo podia ser mais gentil na hora de fazer marcas. Mas Macgyver parece bem feliz
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E não é que aparece a foto do mesmo Macgyver, na mesma situação. Onde foi parar aquele herói genial, de corpo esbelto e mais ágil do que capoeirista? Em todo caso, visitando o Rio de Janeiro, parece feliz e bem resolvido com a vida. Se sumiu o Macgyver que víamos no seriado, pelo menos parece que o sujeito que dá a entrevista dizendo que adorou o Brasil não tem do que reclamar da vida.
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É verdade, mesmo que tenha aumentado vários quilos no peso e vários números no manequim, ao que tudo indica, a vida anda às mil maravilhas para ele. Melhor assim. Um final feliz. Já é grande coisa.
Bem, não adianta fazer isso. O espelho lembra o nome de outro filme, o "O fiel camareiro", de 1983. Só diz ou melhor, só mostra a verdade. O duro é olhar para ela
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Vou até o armário, abro a caixa de fotografias e decido olhar para minha foto de 1983 e me comparar no espelho. Nem consigo acreditar. O Oscar pega ferrugem mesmo ou pelo menos o que achávamos que existia de Oscar dentro da gente. Não acredito que fiquei assim. Bem, nem adianta dar um murro no espelho, uma idéia que me passa pela mente.
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Ele nada mais faz do que apenas refletir o que colocam na sua frente. A gente é que não quis ver esse tempo todo. Que coisa. E depois desses anos todos sem ir na academia de musculação, se eu der o murro e perder para ele, aí é que desanimo de vez.
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Vellker
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sábado, 10 de março de 2012

L09 Pregador de rádio

Em todo caso, ele sempre tenta...
E a platéia de fiéis toca a acompanhar o pregador ardorosamente
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Há alguns dias atrás, numa noite dessas em que o sono demora a chegar enquanto o tédio ronda os pensamentos, liguei meu radinho na rádio de católicos carismáticos "Canção Nova". Nada por nada pensei que alguma pregação tipo Espírito Santo estaria sendo irradiada e isso seria interessante. Mas era uma pregação normal, de um pregador bem entusiasmado, não lembro o nome, falando em profusão de milagres. Em tom de pregador evangélico, já que católicos carismáticos numa pregação são indistinguiveis de pastores evangélicos, o pregador continuava falando que tantos milagres estavam acontecendo que fiquei imaginando que talvez estivesse pregando dentro de um hospital, curando a todos de uma só vez.
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Mas era a típica pregação em que o pregador fala de forma incessante que milagres estão acontecendo enquanto que a platéia de fiéis entoa cânticos e aleluias e recita os refrões supostamente vindos diretamente do Espírito Santo, que se traduzem num palavreado incompreensível, que eles dizem ser a língua do Espírito Santo, só entendida por ele, é claro.
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E em meio à sua pregação, com tal fervor que eu já imaginava o pregador prestes a decolar em voo direto para o Céu, eis que ele começa a recorrer os velhos estratagemas dos pregadores, sejam eles católicos ou evangélicos. Lógico, as duas religiões não falam isso que pega mal, mas seus pregadores nos dias de hoje tem estudos de psicologia de massas e pregam com um olho na Bíblia e com outro na reação dos seus fiéis. E usam e abusam de um recurso que primeiro os evangélicos emprestaram do espiritismo, no caso uma suposta clarividência e que os católicos carismáticos copiaram direitinho.
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Consiste no truque de primeiro deixar uma platéia animada, sugestionada, como uma torcida de um time de futebol e depois o pregador entra com sua suposta capacidade de saber o que acontece pelo mundo afora.
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E aí ele força as expressões do tipo "você que está com câncer, Deus está te curando agora", "você, que sofreu um infarto, o Espírito Santo está restabelecendo seu coração agora", "você que está sem conseguir andar, Jesus está te tocando agora" e por aí ele vai não só deixando a platéia mais sensibilizada, como ouvintes doentes e aflitos, que mesmo que não tenham as doenças que ele fala, já sentem que pelo menos Deus deve estar olhando para eles agora. E por aí todos ficam felizes. Já é uma grande coisa pelo menos.
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Mas o que se nota nessas pregações é que o pregador sempre fala em milagres bonitos, que tenham um certo charme, um razoável e bem acabado apelo na imaginação dos fiéis. Isso que também é ensinado quando começam a serem treinados para suas pregações. Os santos que ele invocar lá no palco, além de Deus, Jesus e o Espírito Santo, só podem e só devem tomar parte em milagres assim, de classe e elegantes e que tenham apelo até mesmo cinematográfico.
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Nada de milagres pelos quais milhares de fiéis esperam de forma verdadeira e ansiosa, mas que são, na interpretação dos professores de pregação para as massas, desprovidos de apelo visual, que são por assim dizer chulos, escatológicos mesmo.
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Ou como reagiriam os fiéis se o pregador em alto e bom som dissesse que "você que está com hemorróidas, Jesus está tocando em você agora"?. Pronto, com um milagre desses, qualquer imagem de uma intercessão milagrosa em tons grandiosos que os fiéis poderiam ter na pregação cai por terra alí mesmo. Isso se não começarem a dar risadas. Se bem que é provável que boa parte dos crentes esteja esperando por esse milagre mesmo. Mas não tem charme, é escatológico, portanto está banido da pregação.
Hemorróidas? Quantos fiéis realmente não esperam por esse milagre?
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Muitas outras situações que afligem o fiel que realmente espera por uma solução milagrosa, infelizmente para os que sofrem desses males, estão no índex de milagres banidos pelos bispos. Um fiel jamais vai ouvir o pregador dizer quase em extâse que "você, que sofre de diarréia crônica, o Espírito Santo está te curando agora". Que milagre mais constrangedor.
Diarréia? É a aflição de muitos fiéis, mas este milagre está banido
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E assim, mesmo com uma legião de fiéis penando com esses problemas e esperando mesmo por um milagre, o pregador passa ao largo desses casos e cita apenas os problemas de saúde que dariam até mesmo um filme no melhor estilo do famoso seriado "Plantão Médico" com seus médicos charmosos e competentes. Ou no mínimo com a genial irreverência do "Dr. House" que sempre salva seus pacientes. Deus, Jesus e o Espírito Santo podem participar apenas e tão somente de milagres dramáticos, como milagres cardiológicos ou neurológicos. Esses outros males constrangedores ficam para o médico do pronto-socorro ou para o farmacêutico que todos conhecem na cidade.
A imagem de milagres que o pregador cita é assim, com charme de cinema
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Estas divindades, razão suprema da pregação, ficam assim preservadas para milagres da cardiologia ou da neurologia, que são milagres mais nobres para a imaginação dos fiéis e mais motivadores. Já a especialidade de proctologia que leva a imaginação dos fiéis a visualizar cenas risíveis ou outras do mesmo naipe, ficam miseravelmente banidas da pregação dos milagres.
E no meio de todas essas pessoas, pode estar Cauã, contando o dinheiro do prêmio
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E aí o pregador recorre a outro truque para continuar sensibilizando seus ouvintes. De sua clarividência, aparece um tal de Cauã. O pregador que em sua clarividência foi capaz de citar vários "vocês" com as respectivas doenças, dessa vez se atém apenas a dizer que "que você, que se chama Cauã e está passando por uma provação". O sujeito, que nas palavras do pregador está passando por uma provação, não precisa ficar aflito. Deus está tocando nele agora mesmo.
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Sabe-se lá quantos Cauãs podem estar ouvindo o programa a estarem com algum problema. E sabe-se lá quantos Cauãs também podem estar ouvindo o programa no rádio do carro zero quilômetro que acabaram de ganhar num sorteio ou melhor ainda, de comprar depois de terem depositado o prêmio da megasena em suas contas. Em todo caso essa pregação sensibiliza os ouvintes.
A verdade é que sem dinheiro não tem milagre, até Jesus deixa a rádio fora do ar
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E algum tempo depois, toda feliz, uma das locutoras do rádio diz que onde tem uma rádio assim, onde você ouve a programação religiosa sem nenhum intervalo comercial? Os fiéis devem concordar. Mas talvez esquecidos que todo mês pagam nos bancos os boletos de contribuição para a "obra da fé", no caso, dinheiro, mesmo, sabe-se lá quantos milhares de reais no total que financiam desde o pagamento do porteiro até o pagamento da locutora toda feliz, porque se a fé move montanhas, infelizmente não move o pagamento do aluguel, água, luz, instalações e todo o pessoal que trabalha dia e noite e espera os salários no fim do mês. Só com a fé, tudo isso não se move nem um milímetro.
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Sem contar a contínua exortação para os fiéis darem ouro. Sim, locutores e pregadores a todo momento falam "daquele ouro que você tiver em casa e puder doar", peças de ouro, coisas do tipo um pequeno anel, uma pequena jóia que não é usada há anos, mas que juntas aos milhares e derretidas viram um belo tijolo de ouro que vai parar no mercado bancário que cuida de transformá-lo em dinheiro. Sem isso, até o Espírito Santo pára de cantar.

Relembrando o romance de Jorge Amado, é mesmo interessante a pregação da tenda dos milagres.
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Vellker
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

D34 Caminhada de volta

Como eu disse, no sentido contrário...
Voltei hoje para caminhar na pista no sentido contrário para ver a fila de carros de volta para São Paulo.
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Surpresa total. Poucos carros, nem parecia fim de feriadão. Acho que todo mundo decidiu voltar bem antes. Ou então emendaram uma boa conversa depois do almoço para voltarem mais tarde. O sol estava escondido por trás das nuvens aparecendo de vez em quando. Até a fábrica que normalmente está com as chaminés a pleno vapor, parecia abandonada. Típica terça-feira de fim de carnaval mesmo.
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Voltei, coloquei a roupa de molho e enquanto ouvia as beatas cantando na igrejinha, fui ver algumas imagens dos jornais sobre a movimentação no feriadão.
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Aí separei algumas delas, imaginando alguma situação aflitiva, já que no meio do caminho, quando fui beber água, descobri que tinha levado as garrafas de água vazias da primeira caminhada. E eu com a boca mais seca do que o asfalto. Que coisa.
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E fiquei imaginando o que pode acontecer em estradas inacreditavelmente congestionadas nesses dias, tanto na ida como na volta. E juntei algumas fotos com a idéia de algumas possíveis situações.
- Acalme-se vizinho, estou aqui no meio da estrada. Fale mais devagar. O celular está com o som ruim...As portas da minha casa estão abertas? Parece gente estranha na minha casa?
O quê...? Um sujeito saiu com minha televisão embaixo do braço...? De carona com outro que está levando minha moto...?

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- Mas querida...Você me disse que o pessoal da oficina te falou que a revisão do carro estava completa. Ou a gasolina evaporou sozinha de dentro do tanque ou esse medidor está parado na marca de cheio desde que saímos...
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- Não acredito, peguei logo as passagens velhas da viagem da semana passada...E agora...?
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- Mas amor...Você não disse que tinha posto a carteira no bolso da calça...? Estava tudo lá...Passagens, cartões de crédito, dinheiro...Deixei tudo certinho nela, em cima da estante...
Ah, você pegou a carteira velha que estava no guarda- roupa...? Essa estava vazia mesmo...

Eu coloquei tudo certinho naquela nova que te dei de presente...

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- O funcionário da empresa de ônibus disse que o ônibus reserva quebrou quando saiu da garagem...Parece que era o último que eles tinham...
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- Ô minha sogra querida...Então você vai ficar mesmo esse mês todo lá em casa...? E sua irmã também vai...? Ah, que maravilha...
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- Querido...Eu não disse que essa oficina era uma bagunça...?
O estepe que colocaram no
porta-malas não tem nada a ver com o nosso carro...
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n
Fico imaginando. Esquecer as garrafas de água, tudo bem. Mas uma dessas, que dureza.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

D33 Caminhada

É bom ver a fila de carros...
A fila de carros na saída de São Paulo. Não seria uma má idéia ficar em casa.
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Mais um feriadão, o do Carnaval e lá vem a fila de carros, coisa mais divertida de se ver do que se pode imaginar.

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Agora de tarde, sol quente, caminho pelo asfalto, afinal o caminho é regular, melhor do que trilhas que incomodam com barrancos para todo lado. Além disso o calor que o asfalto exala força o corpo num exercício para valer mesmo. Olho de um lado da estrada e tem um ou outro carro, olho do lado que vem de São Paulo e tem uma fila impressionante. É divertido ver o que chamo de a clássica família paulistana. Mecanizada, enlatada e sempre viajando para o interior na primeira chance que aparece. Enquanto isso caminho pelo acostamento curtindo um maravilhoso sol de 37°C e toca a olhar a fila de carros e toca todo mundo que passa a olhar para mim pensando que eu devo estar indo a pé para São Paulo. É divertido.
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Mas de manhã, procurando algumas ferramentas para uma pequena reforma aqui em casa, fui no ferro velho, delícia de passeio. Passear pelas ruas da cidade até que é divertido, mas passear no ferro velho é melhor ainda. Enquanto procuro uma ferramenta aqui, outra alí, olho para aquela profusão de peças e me maravilho. Rolemãs, engrenagens, transmissões, sistemas hidráulicos e na minha mente vai surgindo a idéia de montar algum tipo de máquina. Acabo separando um tanque de pressão tirado de algum caminhão, vai dar um compressor e tanto, mais tarde venho pegar, além disso os preços são praticamente um presente. Depois uma pequena manutenção, uma mão de tinta e pronto, tudo funciona, desde que bem planejado. É, passear no ferro velho é melhor do que passear na Disneylândia. -
Uma linda pilha de peças para montar. É só saber como.
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Nem acredito que na segunda feira estarei lá de novo, afinal, nesse sábado o pessoal já estava parando, mas ganhei uma aula grátis sobre prensagem de metais. Olhei aquela prensa enorme transformando metais velhos num bloco que vai para a siderúrgica. Que legal.

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Voltando em casa preparei mais algumas coisas que vou arrumar na reforma, fiz uma pequena refeição, passei a mão na cabeça do cachorro, que coitado, está velhinho e não aguenta mais essas caminhadas e aí tomei o rumo da estrada. Um maravilhoso sol queimava a cabeça de todos. O calor estava tão forte que ao chegar no asfalto imaginei que iria encontrar tropas da Legião Estrangeira também passeando por alí.
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Enquanto caminhava quilômetro a quilômetro, fui vendo o desfile de carros agora bem velozes, já que a saída de São Paulo ficou bem para trás. De relance dá para ver as famílias metropolitanas indo tomar um refresco no interior. O marido dirigindo, a mulher do lado, no banco traseiro três figuras, uma delas de cabelos brancos, aposto que é a avó dos dois pimpolhos. E deve ser um filho e uma filha, já que o carro que passou levava no teto uma bicicleta preta e outra cor de rosa, só pode ser. E é aquela fila de carros passando, fora os caminhões numa velocidade de fazer meu boné voar às vezes. Fico sem saber se os carros correm porque querem chegar logo na casa dos parentes ou se é porque os caminhões vem atrás com dezenas de toneladas de carga que freio nenhum vai segurar. Quando não fogem de assaltantes em São Paulo, correm de jamantas no interior, que divertido.
Uma maravilhosa fila de carros no congestionamento da multidão que vai para a praia. O sujeito no volante, a mulher reclamando, a sogra falando em passar um mês na casa dele, os filhos brigando e o cachorrinho latindo. E chamam isso de viagem de lazer. Que legal.
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Enquanto isso, entre uma música e outra, escuto no radinho que as estradas para as praias paulistas tem lentidão e em alguns pontos os carros estão parados. Deve ser frustrante. O sujeito entra na concessionária, olha os modelos, escolhe aquele carro que vai de zero a cem quilômetros em 10 segundos e depois fica andando a 5 quilômetros por hora numa fila interminável, que mais parece um cortejo fúnebre do que viagem numa autopista, que legal. E quando chega, encontra o mesmo cortejo no posto de gasolina, no hotel, na padaria, no restaurante, no supermercado e na praia mesmo. Que situação.
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A mulher que amo continua em meus pensamentos. Ela já me prometeu que vai fazer essa caminhada comigo. Chego no sétimo quilômetro, paro e olho a subida que deixei para trás e penso no que ela vai dizer quando estivermos por aqui logo logo e ao olhar a próxima curva, vai descobrir que faltam ainda alguns quilometrozinhos a mais. Sem contar o sol que agora deve estar uns 40°C. Mas vamos em frente.
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Ah, chegou a pausa que refresca. Só tenho uma garrafa de água, mas já cheguei no bosque, que dá uma sombra deliciosa, fora a gostosura que é encher os pulmões com esse ar fresco com perfume de eucalipto. Penso nas pessoas na cidade grande espremidas dentro de trens, dentro de ônibus fumacentos, enlatadas dentro do metrô e fico imaginando quantas pessoas devem vez ou outra ter um treco dentro daquilo tudo.
Bosque. Ar puro, sombra e meditações. E ao longe a fila de carros passando.
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Paro um pouco no bosque, admiro toda aquela natureza, aquela paz e depois me lembro que na segunda feira vou no ferro velho pegar meu tanque para fazer o compressor. Passear no ferro velho, passear na pista com esse sol, chegar em casa e passar a mão na cabeça do cachorro que vem me receber, tomar um refresco e depois tirar as botas.

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Na terça feira faço o caminho contrário para ver o povo voltando para a cidade grande.
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É, realmente é mais divertido do que passear na Disneylândia.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

D32 Cachorro inútil

E depois de tudo, ele fica só olhando...
Levantei hoje decidido a dar cabo do último toco de árvore que havia ficado no quintal. Eu já tinha arrancado seis outros tocos e paguei meus pecados com a força que tive que fazer. Com a chegada de mais chuvas o quintal virou um lamaçal. Então fui preparar mais ferramentas e esperei os dias chuvosos passarem.
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No quintal, o toco que havia sobrado, tal qual condenado no corredor da morte, aguardava seu destino. Mas corajoso, nem sequer lhe passou pela cabeça tentar uma fuga durante a noite. Encontrei-o de manhã no mesmo lugar, altivo e sereno, pronto para enfrentar a sentença de morte, tal qual os condenados dos contos de heroísmo.
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Então comecei a a cavar o fosso em volta com a picareta. Mas grosso como era, o toco não ia entregar a pele ou melhor a casca tão barato. Já cansado de travar a ponta da picareta entre as raízes para depois forçá-la para a frente arrebentando todas elas, fui executando a sentença de morte. Dei mais umas marretada para começar a soltar o toco da base e voltei a cavar de lado com a picareta com golpes de arrasar e o toco firme, sem pestanejar e nem gemer me fazia passar vergonha na frente do meu cachorro, que deitado perto dalí, se aquecia no sol da manhã bem folgado, me olhando intrigado, pensando com certeza em que tipo de coisa eu estava a derramar bagas de suor pela testa.
Mas se o toco estava condenado, não deixou também de arquitetar sua vingança. Depois de mais um golpe fundo, travei a ponta da picareta numa raiz das grandes. Com certeza essa era a última. Forcei o corpo para a frente com toda a força, ouvi a raiz estralando e aí o toco se vingou com um último suspiro. A raiz arrebentou de uma só vez. Com as mãos segurando firme o cabo da picareta, forçando a raiz com o peso do corpo bem inclinado e com os pés para trás, eu só poderia ir para um lugar, para o chão. Ainda levei uma perna para a frente para me apoiar, só para enroscar o pé numa raiz que havia ficado bem para fora da terra. E aí foi a vingança do toco. Antes de poder tirar as mãos do cabo da picareta e com o pé enroscado, fui de boca no chão, justo no cimentado do lado do toco. Meus lábios serviram de almofada para os meus dentes que ainda latejam.
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Enquanto isso, esse cachorro inútil ficava olhando tudo, talvez pensando que fosse uma espécie de jogo entre o toco e eu e pelo jeito, enquanto via eu me levantando com a boca cheia de areia e com um fiozinho de sangue começando a descer, ele deve ter pensado que o toco ganhou. E continuou feliz tomando sol enquanto fui para o banheiro olhar o estrago no espelho.
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Na medida em que olhava e sentia o dente latejando mas ainda no lugar, pelo menos e espero que continue assim, meu lábio já ia virando um beiço enorme, cortado e inchado. Que situação. Enquanto estava no banheiro, vi esse cachorro passando para deitar bem sossegado no tapete da sala. Que inútil.
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Voltei lá e aí o toco saiu fácil, foi só levantar com uma ponta de ferro que fiz e pronto, o último toco saiu do quintal. E enquanto isso sentia o gosto de sangue na boca e o agora beiço latejando. Lavei as ferramentas, tomei banho e olhei de novo o beiço enorme. Olhei bem os dentes da frente e me pareceu ver uma trinquinha pequena num deles. Tomara que continuem no lugar.
Assim que me vesti, ainda sentindo o gostinho de sangue na boca, afinal cortou por fora e por dentro, esse cachorro desclassificado aparece na minha frente abanando o rabo, com seu habitual jeito de dizer que é hora do almoço dele e ele quer ração.
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Que mais eu podia fazer a não ser servi-lo? Cachorro inútil. Podia ter avançado para cima do toco, ter-lhe dado umas dentadas, ter escavado valentemente em volta do toco me ajudando, mas que nada, ficou lá tomando sol e só me olhando caído de boca no chão.
E ainda por cima tenho que servir ração para ele. Eu já tenho dúvidas se sou dono desta casa ou só um mordomo aqui. Que situação. E toca a passar remédio no beiço.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

D31 Eu não acredito e ele não gosta de mim

Apesar de não existir, ele não gosta de mim, ao menos por hoje...
Sou ateu. Mas parece que Deus, apesar de não existir, ao que tudo indica não gosta de mim. Ou pelo menos hoje não. Parece que assim que acordou, foi espreguiçar-se na janela do Céu e deu de cara comigo andando aqui embaixo na Terra e não ficou propriamente feliz comigo, sabe-se lá porque. Seja lá como for tive uma dura luta capinando o quintal com a enxada escapando toda hora do cabo. Já tostado pelo sol da manhã, que estava bem forte, tratei de ir ao mercado para comprar pão.
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Mas não achei nem pão doce e nem de forma, pão tinha acabado e nesse horário sempre sobra. Até mesmo a televisão de cachorro, que é como chamo aquela máquina com um monte de frangos assados virando de um lado para outro já tinha sido recolhida. Comprei umas bananas para fazerem o papel de pão e fui voltando para casa que uma parte do capim e quatro tocos de árvores ainda estavam me esperando.
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No caminho vejo um carro passando e decididamente o passageiro jogou pela janela uma maleta tipo executivo certinho numa dessas armações de arame para colocar lixo e o carro sumiu esquina abaixo. Ora essa, com tanto assalto de caixa eletrônico por aí, pensei que de repente podiam ser alguns meliantes que estivessem pondo uma maleta cheia de dinheiro fora para escaparem de alguma batida da polícia. Um golpe de sorte e além disso achado não é roubado. Fui conferir a maleta, até meio velha, mas só tinha um jornal velho dentro, não tinha mais nada, eram as dobradiças que estavam arrebentadas e provavelmente não valia a pena o conserto. Achar maleta com dinheiro? Essas coisas só acontecem no cinema.
Depois do almoço voltei a capinar o quintal. Sol de uns 37°C mas tudo bem, depois de algum tempo o corpo ignora o calor. A verdade é que não tive outra saída. Bem que tentei contemporizar com reflexões ecológicas, mas aquelas urtigas e carrapichos passaram a semana inteira me olhando com cara de quem não ia arredar pé dalí de jeito nenhum. Não me deixaram outra alternativa. Tirei minha enxada do coldre e fui para o duelo. Mas tenho que admitir. Os carrapichos e urtigas foram tipos durões. Não deram um passo para trás. Foram destemidos até o fim.
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Quem sabe a fortuna me sorria aqui. Talvez exista algum tesouro oculto no quintal e que se revele agora. Cavo quase meio metro para tirar um cano velho. Ora, no velho seriado Dallas o patriarca da família ficava rico achando petróleo assim. Ou quem sabe talvez eu ache ouro. Achei. Não é bem ouro mas é uma moeda de 5 centavos de 1969. Pelo menos uma lembrança de bons tempos.
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Achar petróleo ou ouro ou maleta de dinheiro só no cinema mesmo.
Continuo capinando e a enxada, já parecendo ter vontade própria continua se soltando. Parece ter lido os sonetos de Castro Alves contra a escravidão e decidiu dar a si mesma a sua própria carta de alforria, mas termino com as odiosas ervas daninhas. Um erro de Deus, sem dúvida. Quando o quintal está limpo, os passarinhos ao ciscarem por alí soltam com seus dejetos sementes de carrapichos, urtigas e todas as outras plantas que só infernizam a vida do ser humano. Já que Deus inventou isto não podia ter feito os passarinhos deixarem sementes de pés de laranja, pés de maçã, ramos floridos, ervas medicinais e coisas assim? Não, Deus achou que devia ser assim e assim até hoje é, que coisa.

Terminado o confronto com as ervas daninhas me preparo para a luta contra os quatro tocos de árvores, que corajosos nem sequer encenam sair do lugar em que estão. Esses tocos, com raízes nada desprezíveis pelo que eu já tinha visto dão um trabalho e tanto. Já tinha pedido umas dicas para o pessoal que cuida de jardins e as notícias foram todas desanimadoras. Não tem mágica, tem que cavar de lado, fundo e fazer mais força do que trator de prefeitura. Mais um erro de Deus. Certo, as árvores tem que ter raízes firmes para não saírem voando na primeira brisa, mas na hora da gente arrancar devia ser assim, a gente puxava e ela saia como se fosse um pé de alface, mas não, Deus tinha que fazer assim, não é ele que vai arrancar mesmo.
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Parto decidido para a luta contra o primeiro toco. A cada golpe da picareta, ela se enterra no chão e se enrosca nas raízes. Aí faço uma força de que não me sabia capaz e as raízes vão cedendo. De vez em quando paro e vou tomar água. E toca a ir rodeando o toco com a picareta, o fosso em volta aumentando e aquele monte de raízes arrebentadas subindo. Nem acredito. Quando eu já estava para jogar a toalha e abandonar o ringue, o toco cede e sobe com tudo, olho para o buraco que ficou e limpo o suor da testa. Puxa vida, foi-se o primeiro.
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Vou para cima do segundo toco e quando dou o primeiro golpe, cravo a picareta fundo e dou um empurrão com toda a força e escuto o estralo. Não consigo acreditar. O cabo da picareta, com toda a grossura que tem, se partiu. Não tenho como continuar. Fim da partida. Arrumo as coisas e deixo para amanhã.
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Vou tomar um banho e assim que abro a torneira, surpresa, não tem água. Vai voltar, como acontece as vezes, quase de noite. E eu com terra até nos cabelos. Decididamente Deus hoje não estava muito contente comigo. Mas já que Deus existe, como dizem, já que ele uma vez jogou tanta água na Terra que afogou todo mundo, será que não dava para jogar um pouquinho de água pelo chuveiro só para um banhozinho? O que é isso homem, mude de humor comigo. Mas nada, só uma pequena gota cai. Mas o que é que eu fiz de errado? Que coisa.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

D28 Palavras para a posteridade

Depoimentos que lembraremos sempre...
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Em depoimentos que com certeza farão muito pelo destino dos povos, Monique Evans e sua filha Bárbara Evans deixaram revelados para a posteridade seus pensamentos nos jornais.
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Bárbara que segue os mesmos passos da mãe, posou para a revista "Playboy" em recente ensaio fotográfico, coisa que sua mãe fez e refez em mais de uma revista masculina ao longo da juventude na década de 70 e ainda na vida madura na década de 90, revelando sua grande beleza e sensualidade com ensaios fotográficos que fizeram a alegria solitária de milhares de leitores das revistas masculinas pelo Brasil afora (inclusive a minha).
Em recente entrevista, depois de ser presenteada pela apresentadora Fernanda Lima com um vibrador do qual ela alega nunca ter feito uso, ela declarou que sua mãe "precisa mais do que ela" com um riso maroto. A revelação indiscreta alvoroçou a mente dos leitores mais afoitos que nas mesmas páginas de fofocas da vida social foram procurar mais esclarecimentos.
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E deram de cara com eles. Monique Evans conta entre outras coisas que pretende se candidatar a algum cargo político. Terá com certeza muitos votos.
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Com a leva de mulheres feiosas que temos na política, uma dobradinha de Monique mãe como titular e Bárbara filha como vice seria senão bem sucedida, uma das mais belas, com direito a cartazes de propaganda supersensuais. Não seria má idéia.
Iria puxar votos e mais votos, com os eleitores mais afoitos tendo que ser retirados à força das cabines de votação.
Continuando com suas revelações, Monique afirmou que pretende se casar, mas não com um desses garotões malhados que sempre estão em festas em volta de mulheres bem conhecidas, mas que segundo ela não tem o que ela quer. Ela quer se casar com um homem mais velho, que a coloque para cima.
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Entenda-se. Os garotões malhados de festas e camarotes de carnaval estão começando a carreira agora, entram nas festas como convidados ou contratados pelas agências de acompanhantes e por isso não tem dinheiro nem patrimônio formado e assim vivem dando em cima de coroas ricas nas festas. Já os homens bem mais velhos, que tem muito dinheiro e patrimônio a perder de vista, alugam moças das mesmas agências para poderem dizer que ainda fisgam as garotas. Que estão é claro, interessadas em fisgar uma bela pensão.
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E uma gorda pensão é o que coloca muitas mulheres como Monique por cima, como ela disse. Sejá lá como for, se sua candidatura realmente se concretizar, ela com certeza terá o apoio das grandes sexshops do seu estado.
Vote em Monique e sinta a diferença. Está aí um bom slogan de campanha.