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segunda-feira, 21 de abril de 2014

D42 As lindas atrizes que namorei

Namorei três mulheres lindas. E eram todas de Hollywood...
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Parece difícil acreditar, mas namorei três lindas atrizes de Hollywood, nas décadas de 70 e 80. Bem, tecnicamente é um namoro, se bem que elas não estivessem a par do caso.
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Na época eu era tímido demais para começar um namoro, então meio que parecido com um personagem dos filmes de Woody Allen, eu namorava nos devaneios, daqueles que a gente tem quando está parado em algum lugar ou meio dormindo e meio acordado.
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Como na Internet podemos ver as figuras do passado e do presente, fui ver como estavam as minhas namoradas daqueles tempos.
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Cindy Williams foi a primeira dessas namoradas. Quando a vi no filme American Grafitti, na hora caí de amores por ela. Embalou meus sonhos um tempão. Eu até sonhava que tinha um carrão daqueles também.
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A segunda atriz que namorei foi Lisa Eilbacher. Que linda. Apareceu no filme Um Tira da Pesada. Impossível não se apaixonar por uma beleza daquelas.
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A terceira que namorei foi Nancy Allen, linda de tudo e que apareceu no filme Robocop, suave e graciosa. Caí apaixonado.
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Aí aproveitei e fui ver como estavam minhas lindas namoradas  nos dias de hoje. Antes não tivesse olhado. Como o tempo é cruel.
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É certo que o tempo é um mestre em fazer com que os vinhos fiquem divinamente melhores com o passar dos anos, mas no caso dessas mulheres lindas, o tempo erra feio.
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Parece mais um aprendiz de escultor que se meteu a reesculpir uma obra prima angelical e errou feio. Talvez o tempo não seja cruel, talvez seja apenas desastrado.
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De qualquer forma ele deveria apenas cuidar do envelhecimento de vinhos, já essas lindas mulheres ele deveria deixar intocadas.
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São coisas da vida. Vou guardar a lembrança das minhas lindas namoradas no pensamento daquele tempo.
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Vellker

sexta-feira, 11 de abril de 2014

D41 A bela natureza

E eu fiquei tão embevecido...
Ontem testemunhei uma dessas ocasionais visões de como a natureza é bela. Já morei em cidades grandes onde a única visão que eu tinha da Lua, era uma ou outra ocasional aparição dela, entre as nuvens de chuva durante a noite ou meio embaçada pela poluição mesmo. Estrelas então, só se via umas duas ou três mais teimosas. Passarinhos, poucos, por sorte e olhe lá.
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Pois ontem tive o privilégio de chegar na cozinha e contemplar uma das belezas da natureza. Um passarinho tinha voado até o pratinho onde eu havia comido bolachas e feliz da vida, bicava os pedacinhos das bolachas.
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Já estava eu todo embevecido com o espetáculo, quando o passarinho me viu e voou rápido porta afora. Mas ao fazer isso, deixou uma bela gosma de despedida no meu prato. Ora essa, a natureza não é tão perfeita assim. Que passarinho mal educado, ingrato.
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Pensei no primeiro momento em comprar um estilingue, mas depois me acalmei. Afinal, sabe-se lá se isso não é uma forma do bichinho dizer que gostou da comida. Seja lá como for, hoje ele voltou, se perdeu voando pela sala e depois achou a saída. mas deixou tudo limpo.
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Já é uma grande coisa.
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Vellker


quarta-feira, 24 de abril de 2013

D40 Fechando aos poucos

Terminando texto a texto...
Depois de muito tempo sem escrever por aqui, volto para ir finalizando este espaço com mais alguns textos. Mas como o tema religião é por demais interessante, enquanto ia escrevendo o rascunho ontem, ia ouvindo a pregação de um locutor da rádio Canção Nova, que ia explicando um assunto que ao longo da história do mundo provocou até guerras.

Há mais de 2000 anos os cristãos se pegam de tapas e socos e até de espadas se pegaram na Idade Média, uns defendendo a idéia de que Deus é um só, outros defendendo a idéia de que Deus é três em um e ao mesmo tempo um em três. Alguns cristãos terminaram até em fogueiras por defenderem ora uma idéia, ora outra.

Enquanto isso ia o locutor explicando que na verdade Deus é a mesma coisa que três pessoas em uma só e a mesmo tempo é um Deus só em três pessoas e ao mesmo tempo explicava que mesmo sendo assim, Deus não manda mais que as outras duas pessoas e nem as outras duas pessoas mandam mais que Deus e ao mesmo tempo nenhuma dessas três pessoas manda mais que qualquer uma delas.

Os cristãos acreditam que a Deus tudo é possível e nada lhe é impossível. Mas notei que a Deus uma coisa é impossível. Ele não pode escapar da tirania das suas pequenas criaturas que lhe dizem quantas pessoas ele é em uma só, que pessoa ele é em três e o que ele pode ou não pode ser ou fazer sendo um ou três ao mesmo tempo.

Como dizia um escritor da antiguidade sobre o cristianismo, "Credo quia absurdum" ou seja, "Eu creio mesmo sendo absurdo".  

Dá para entender porque os cristãos, atrapalhados com essa estória capaz de fazer qualquer um ficar atordoado, até pegaram em armas por causa da Santíssima Trindade.

Para explicar tudo isso, só mesmo sendo mágico e dos bons.

Vellker

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

D39 O piloto do prédio

Somente para pessoas arrojadas...

Saiu por esses dias reportagem sobre a construção de prédios com quitinetes de luxo com o inacreditável tamanho de 30 metros quadrados, algumas até maiores, coisa que se as quitinetes antigas tinham e até mais, ao menos tinham um preço decente.
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Pois pela inacreditável quantia de 400 mil reais, o tresloucado comprador será o feliz proprietário dessa pequena cabine chamada de apartamento, com certeza uma visão bem humorada das construtoras.
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Como a venda só se consuma com a construtora geralmente adulando o comprador, os representantes das construtoras se desmancham em elogios aos possíveis compradores, que segundo eles são pessoas arrojadas, refinadas, da elite, que querem o melhor e mais frases do tipo que todo estelionatário usa para deixar sua vítima mansa até fazê-la assinar algum cheque em branco.
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Dizem também que neste apartamento a pessoa tem uma experiência incrível, que não tem em apartamentos maiores, deixando entrever que ter um apartamento maior é coisa nada arrojada e quem sabe coisa de gente nada arrojada também. Sendo assim, somente pessoas arrojadas e refinadas quererão viver em tal aperto, que faria até uma pulga se sentir pouco à vontade, mas o arrojo tem seu preço.
Com as fotos que foram publicadas nos jornais pode-se ter uma ideía do apartamento, que com certeza levará seu morador a ter experiências que num apartamento grande seriam impossíveis. O desenho e espaço das quitinetes foram, segundo os construtores, inspirados em cabines de aviões.
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Segundo os construtores, o espaço sem paredes sugere uma uma requintada e total vivência  do espaço disponível. Sem dúvida. Com a namorada no apartamento e sem a privacidade de poder atender ao telefone sossegado, o sujeito atenderá somente chamadas da mãe dele, da mãe da namorada e todas as outras chamadas serão engano, mesmo que sejam da outra namorada dele. Que experiência e tanto pela falta de paredes.    
Na sala pode-se pular da cadeira para o sofá apenas rebolando um pouco para o lado. E como se pode ver pela foto, outra experiência inédita é a de tentar abrir o jornal na sala ou melhor, micro-sala. E pelo tamanho da cozinha, intui-se outra experiência inesquecível, a de abrir o forno micro-ondas enquanto o armário atrás está aberto.
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Outra vivência marcante neste apartamento é a fidelidade conjugal. Não tem paredes, não tem armários, o banheiro não dá para usar de esconderijo, embaixo da cama não dá para entrar, ou seja, esse apartamento preserva a fidelidade conjugal porque o adúltero ou a adúltera não tem onde se esconder se o cônjuge traído começar a bater na porta aos berros. É fidelidade conjugal garantida por parte do morador. 
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Outras vivências inesquecíveis serão receber visitas no corredor, porque dentro do apartamento é impossível. Deixar os livros na casa dos parentes, roupas na casa da mãe e coisas assim, porque lá dentro só a roupa do corpo e algum livrinho pequeno. Malas ou bolsas nem pensar, o morador só vai usar pochetes. Vivências maravilhosas como dizem as construtoras.
O banheiro é um primor de racionalidade. Atende aos requisitos descritos por um entusiasmado construtor que disse que um dos conceitos das novas quitinetes é o de aproveitar cada centímetro quadrado do espaço. Pelo desenho do banheiro, devem ter pensado em milímetros quadrados ou alguém entregou a planta errada ao pedreiro que construiu o prédio.
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No caso de uma dor de barriga imprevista ou de uma flatulência fora de hora, o morador passará pela experiência inédita de não poder abrir a porta do banheiro enquanto sua namorada termina de arrumar a mesa esperando pelo romântico jantar à luz de velas, no caso de uma vela só, pois é o que cabe numa mesa de meio metro quadrado. Ou, apesar de romântico, apenas um jantar de salgadinhos em pratinhos de plástico descartáveis, porque pelo tamanho da cozinha, vai ser difícil colocar coisa maior do que isso lá dentro. 
E pela ínfima soma de 400 mil reais, o feliz comprador desse espaço amazônico adaptado para o tamanho de um cachorrinho de estimação, será assim levado a sentir experiências de vivência espacial inéditas e só proporcionadas por espaços requintados como banheiros de submarinos, cabines de aviões e por fim, dos vagões do metrô nos horários de pico.
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Que maravilha.
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Vellker
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

D38 A melhor mesmo?

Quem será que disse isso...?
Há poucos dias eu estava vendo uma entrevista na televisão onde uma moça que provavelmente deve trabalhar em algum serviço de assistência social dava uma entrevista falando sobre a melhor idade e o cinegrafista mostrava um salão de baile cheio de mulheres e homens de mais ou menos 80 anos, talvez os mais novos. 
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Com todos dançando como se estivessem engessados ou quebrados e com a artrite visível na maioria, a repórter sorria fechando a matéria toda feliz falando sobre a melhor idade, que sinceramente me pergunto, é essa aí? 
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Eu dúvido, pois só de estar chegando perto dela fico arrepiado ao constatar as mudanças que ocorrem no meu corpo. Nem vou falar das moças lindas que um dia vi na praça aqui perto e que hoje, no mesmo caminho, estão simplesmente irreconhecíveis. Mas parece um costume de todos chamar essa idade de "a melhor idade".
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Artrite, problemas cardíacos, diabetes, juntas, músculos e nervos que não funcionam mais, remédios para todos os lados, bengala no lugar de chaveiro e movimentos tão ágeis quanto os de uma múmia e o que é pior, em certos casos a aparência é a mesma. Para azedar as coisas em definitivo, os que estão nessa idade geralmente tomam sopa, mas não porque gostam, é que os dentes caíram, fora outras coisas que já caem bem antes. E chamam isso de a melhor idade?
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Depois de ter chegado aos 57 anos razoavelmente saudável e mesmo assim ter problemas, especialmente de constatar como a gravidade parece aumentar a força dela na medida em que os meses passam, só posso discordar de darem esse nome a uma idade que fez com que os espanhóis quando da  descoberta das Américas passassem anos enfiados no meio  das selvas  procurando a mítica fonte da juventude que tinham ouvido falar em estórias de índios.
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Se essa idade fosse tão boa assim, quem iria perder tempo procurando essa fonte?  

Estando nessa idade ainda, já me parece que essa tal de melhor idade é a mesma coisa que estar no convés de um navio afundando e com o mar cheio de tubarões, cada um atendendo pelo nome de alguma doença que só chega nessa tão falada melhor idade. Geralmente quem fala está longe dela, como a repórter que fazia a matéria. Se essa idade fosse tão boa, as mulheres não comprariam creme para alisar a pele, mas sim para enrugar.
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Nesse quilômetro da estrada da vida e tendo chegado pelo menos com o consolo de uma saúde que se não é perfeita ao menos aceitável para esses tempos, perto de amigos meus que se arrastam atrás de médicos o tempo todo, fico pensando no que existe depois da curva e imagino uma coisa.

Será que não dá para fazer o caminho inverso? De volta para os anos 80? Ou 70?
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Que situação.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

D37 Mais infiltrados

É a única explicação...
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Continua a ação dos infiltrados nas emissoras de televisão, provocando estragos na audiência  e críticas tão negativas que a criação e produção de certos programas só podem obra de agentes infiltrados por alguma emissora concorrente.
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Já tem mais de uma semana que vai ao ar o programa de Fátima Bernardes na rede Globo, que ao que tudo indica deve ter sido criado como uma espécie de prêmio de consolação pelo fato de a jornalista ter deixado a bancada do Jornal Nacional. Parecendo mais uma reunião de amigas para um chá beneficente, o programa tem despertado antipatia e apatia a tal ponto que os internautas em comentários o chamaram de Encontro com Chátima Bernardes.   
Nesta semana estreou o programa Na Moral, também na rede Globo, apresentado por Pedro Bial. Parece igualmente outro programa criado como prêmio de consolação, já que o apresentador do Big Brother só aparece a cada edição do chamado reality show.
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É um programa de perguntas e respostas ou melhor tentativa de respostas, já que o apresentador fala mais do que locutor de futebol e não deixa o entrevistado responder a pergunta. Também caiu no desagrado dos telespectadores logo na primeira edição.  
Enquanto isso o SBT está em festa. Com a estréia da novela Carrossel, remake da novela mexicana exibida em 1990, o SBT festeja a vice-liderança folgada. Gastando muito pouco dinheiro com seus seriados e desenhos baratos como Chaves, Chapolin e outros do tipo, o SBT vê seus concorrentes amargando baixa audiência em seus programas e o que é pior, gastando muito dinheiro para resultados tão desanimadores. 
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Enquanto isso, a rede Record, depois dos erros cometidos em jornalismo, teledramaturgia e programação em geral e já disputando a penúltima colocação com a TV Cultura, já que a Rede TV não conta, tratou de empurrar sua finada novela Máscaras para o horário da meia-noite, para que o vexame da audiência quase zero seja menor. Como ela é controlada por bispos fiéis ao bispo chefe Edir Macedo, que não admite contestações, a tragicomédia de erros na absurda troca de horários e na inserção de seriados no horário de outros programas anunciados, continua sem alterações.
Continua válida a idéia de diretores de programação infiltrados, tal qual no filme Os Infiltrados, em que um chefe do crime tinha um policial infiltrado em sua quadrilha, ao mesmo tempo em que tinha conseguido infiltrar um dentro da polícia.
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Fica simplesmente impossível de entender como diretores de programação em emissoras que movimentam milhões de reais em faturamento cometam tais erros sem apelar para a idéia de um misterioso chefe de algum canal de televisão, que escondido nas sombras esteja conseguindo tudo isso com seus agentes infiltrado para derrubar a audiência dos concorrentes.
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Pelo jeito, ele conseguiu, tal qual no filme. Ou então estamos assistindo o fim dos canais abertos.   
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

D36 Os infiltrados

Só sendo agente secreto da concorrência...
Prossegue na rede Record uma espécie de novela à parte, que acontece dentro da alta direção da emissora e de trama das menos agradáveis. É simplesmente novelesco o enredo do que ocorre com as mais recentes decisões dos administradores dessa emissora de televisão, que se há algum tempo atrás chegou a provocar perdas visíveis na rede Globo, por hoje se debate numa crise criada justamente por quem deveria elevar a emissora a níveis não alcançados por nenhuma outra estação competidora da rede Globo. -
A "concorrência" é como ordenam os administradores da rede Record que seja chamada sua grande rival, a rede Globo, que hoje com certeza dá risadas dos tropeços que os membros da direção da Record provocaram para si mesmos, para a emissora e para todo um contingente de técnicos, atores, roteiristas e diretores da programação em geral, que se fossem bem aproveitados teriam criado uma nova opção me televisão no Brasil.  

Segundo os comentaristas de jornais e portais da Internet, a rede Record é obrigada a obedecer todas as decisões de seus chefes, oriundos todos da Igreja Universal do Reino de Deus, de onde dá as ordens o chefe deles, o conhecido e auto-intitulado bispo Edir Macedo. Seja lá de quem venha as últimas ordens, não se consegue entender que erros tão primários tenham sido cometidos, deixando sua audiência além de aborrecida, desorientada e sentindo-se no mínimo como a parte menos importante de tudo. O resultado é o que se tem visto, a audiência cai dia a dia e a emissora que chegou a alternar primeiro e segundo lugar com a rede Globo durante mais de um ano, hoje se vê brigando pelo penúltimo lugar com a TV Cultura. -

Nenhuma emissora pode se dar ao luxo de perder uma atriz do porte de uma Bianca Rinaldi, que alicerçou a refilmagem da novela da Globo "Escrava Isaura" com tamanha competência que boa parte da audiência da sua "concorrência" migrou para a rede Record. Aliás, no geral, atores, atrizes, roteiristas e o pessoal da televisão em geral trabalharam tão bem que a rede Record como num passe de mágica tornou-se conhecida no Brasil inteiro. Não é pouco para uma emissora que anbtes só atingia os limites da cidade de São Paulo. 
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Porém, após conseguirem uma posição confortável na teledramaturgia, no jornalismo e nos programas em geral, os bispos chefes da emissora desandaram a encenar uma comédia de erros tão gritantes que não se sabe se são intencionais ou se resultam de uma visão tão obtusa da programação televisiva e ao mesmo tempo desconsideram tanto o telespectador que o resultado só poderia ser essa queda continua de audiência.
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A tal ponto que os ufanísticos comerciais da emissora cantando o refrão "a caminho da liderança" já foram discretamente tirados do ar. 
Existe um filme chamado "Os Infiltrados" onde um chefe do crime sem saber, tem dentro de sua organização um policial infiltrado. Ao mesmo tempo esse chefe tem dentro da polícia, que tudo ignora, um agente seu também infiltrado e a trama roda de forma eletrizante em torno disso.
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Hoje as sequências de erros primários cometidos pelos bispos administradores da rede Record são de tal forma tão inacreditáveis que depois de ver um filme como esse, qualquer telespectador fica pensando se esses bispos, longe de serem bispos em suas igrejas e administradores realmente devotados aos crescimento e contínuo fortalecimento de sua emissora, não seriam na verdade, agentes infiltrados da "concorrência".
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Com o espetáculo absurdo de erros cometidos praticamente todo dia, é a única conclusão a que se consegue chegar. 
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sexta-feira, 13 de abril de 2012

L10 Sem gordura e sem espíritos

Sem espíritos trans...
A grande inspiração dos espíritas, um gravador da década de 70, que permitia ouvir espíritos que só eles ouviam
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Por estes dias fazendo compras no supermercado, estava lendo as informações sobre um pacote de conservas e lá estava bem legível a informação "Sem gorduras trans", palavras que agora só faltam aparecer carimbadas em cima de salgadinhos vendidos na lanchonete da esquina. Ao mesmo tempo uma menina também pegava bolachas enquanto ouvia música num aparelho tipo digital. Ora, pela palavra "trans" me veio na lembrança a comunicação que ficou famosa nas décadas de 70 e 80, mais ou menos por aí, quando alguns espíritas e outros adeptos da comunicação com os espíritos lançaram a moda da transcomunicação.
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Consistia no fato alegado por seus defensores de que espíritos aproveitavam os meios de comunicação da época, como gravadores, rádios, vitrolas e televisores para nos mandar mensagens do mundo espiritual. Ficaram comuns relatos de supostos médiuns que diziam ouvir a comunicação dos espíritos através de um gravador, onde tocavam uma fita magnética sem nenhuma gravação e dos chiados e roncos bem baixos que aquilo produzia, conseguiam distinguir palavras audíveis, mas somente para eles é claro. Milhões de pessoas impressionadas com isso tentaram a comunicação com os espíritos, até eu, mas tudo o que eu ouvia era só isso, estática, roncos e chiados do aparelho, talvez porque já estivesse ficando descrente de certas coisas.
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Porque os espíritos nunca aproveitaram para usar os antigos meios de comunicação como telégrafos, rádios de ondas curtas ou mesmo o telefone, os médiuns espíritas nunca explicaram. Talvez porque no telégrafo, o telegrafista já estivesse usando, o rádio de ondas curtas era muito caro, só para radioamadores muito bons e o telefone talvez porque só existisse na casa de uns dois ou três sortudos no quarteirão todo.

Vitrola também da década de 70. A máquina que permitia aos padres católicos mostrarem cantores de rock falando do Diabo ao simplesmente rodarem os discos ao contrário
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Vitrolas também emitiriam palavras de transcomunicação dos espíritos, mas como os discos de vinil só tinham alguns segundos entre o começo das músicas e o fim delas, essa modalidade deve ter sido descartada pelos espíritos. Mas para padres católicos foi de grande valia. Reunindo jovens em aulas de catecismo, os padres provavam que os grandes ídolos do rock pesado tinham vendido a alma para o Diabo e provavam isso começando a tocar algum disco com essas músicas e em certo trecho simplesmente colocavam a mão em cima do disco e o rodavam ao contrário. Quando todos ouviam os sons distorcidos que isso provoca, os padres diziam que aqueles guinchos e vozes ao contrário eram as juras de fidelidade dos cantores ao Diabo. Era só prestarem atenção e perceberiam. Arrepiados, os adolescentes das aulas de catecismo católico, saíam dalí dizendo para todos que tinham ouvido em alto e bom som a voz dos cantores de rock vendendo sua alma, enquanto os padres esfregavam as mãos de alegria.
Depois do filme Poltergeist, os espíritas progrediram para a televisão e alguns médiuns mostravam espíritos em televisores nas imagens de chuvisco
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Depois do filme de Steven Spielberg de 1988, "Poltergeist", os adeptos da transcomunicação também passaram a ver espíritos ou rostos dos espíritos de pessoas falecidas simplesmente olhando durante muito tempo para televisores fora de sintonia, que apresentam a imagem de chuvisco, conhecida de todos. É mais ou menos como olhar para nuvens e ver as formas que a pessoa quiser. Olhando sem cessar para a tela com chuviscos, a pessoa, já com a vista consada e meio ofuscada e impressionada consegue ver os rostos de pessoas que conheceu e que já morreram. Infelizmente os espíritos nunca aproveitaram o aparelho para aparecerem numa imagem nítida e incontestável e ainda por cima com som, apenas apareciam muito bem para os médiuns ou crentes entusiastas da transcomunicação.
Um aparelho digital de MP3 dos anos 2000. Porquê será que os espíritos pararam de falar por aqui?
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Por tudo isso é interessante notar que no tempo dos aparelhos analógicos, sujeitos a todo tipo de interferência de áudio e vídeo, os espíritos apareciam em fugazes segundos, quando alguém apontava para a tela e via este ou aquele defunto ou então quando ouvia algum parente ou conhecido já falecido mandando uma saudação também fugaz do outro mundo, depois de quase uma hora escutando estática e chiados de uma fita magnética sem nenhuma gravação rodando no gravador ou do mesmo tempo passado olhando os chuviscos no aparelho de televisão.
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Já nos tempos de hoje, quando temos aparelhos do MP3 até o 7, televisores de alta definição, televisores a cabo com som e imagem de uma perfeição enorme, canais de filmes via satélite também de ótima definição de som e imagem, com tudo isso, de forma interessante os espíritos pararam de falar e de aparecer. Justo agora que os meios para a transcomunicação tornaram-se aperfeiçoados ao extremo, parece que tal perfeição aborreceu os espíritos. Ao que tudo indica eles não gostam de aparecer em imagens de alta definição. Como esses aparelhos não tem chuvisco, mas só a tela azul, os espíritos contrariados decidiram não aparecer mais. Também nos modernos aparelhos de áudio digital que permitiriam aos espíritos falarem com toda clareza, eles não dão sinal de vida. Nem uma palavra que seja, eles gostavam mesmo é dos chiados e roncos nos gravadores. Quanto aos ídolos de rock que venderam a alma ao Diabo e provavelmente continuam fazendo isso, os padres não tem mais como provar isso, já que quando colocam algum CD ou DVD para tocar, não podem usar do recurso de colocar a mão no disco e rodá-lo ao contrário. Que situação.
Na tela dos computadores de hoje, não poderiam os espíritos mostrarem então incontáveis telas do mundo espiritual com a perfeição do som e imagens digitais? Que nada! Sumiram
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E que meio mais rico de comunicação, a tela do computador, que os espíritos que agiam sobre gravadores e televisores poderiam usar, mas agora não usam. Poderiam agir sobre o computador, provocando um travamento e a tela azul apareceria justo com as mensagens dos espíritos, mas talvez porque a Microsoft resolveu grande parte dos problemas do Windows que levavam à famosa tela azul, eles não conseguem fazer isso e não nos mandam uma mensagenzinha que seja. Assim, já nos anos 90, a transcomunicação tornou-se ela própria uma defunta, já que ninguém mais falava nela. Uma pena.
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Talvez isso tenha acontecido porque os espíritos antigos sabiam usar o gravador, a vitrola e o aparelho de televisão analógico. Mas como morreram antes dos modernos aparelhos digitais, não sabendo usá-los, ficam sem conseguir a famosa transcomunicação. Só pode ser isso. O problema é que morre gente todos os dias que não só sabe usar esses aparelhos, como até os inventou.
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Isso nenhum médium consegue explicar. Mas que foi divertido enquanto durou foi.
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Vellker
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Índice geral de textos

quinta-feira, 8 de março de 2012

D36 Informação aos leitores

Recompilação do índice geral de textos publicados...
Após recuperar o acesso ao antigo índice de textos publicados, pude também recompilar e dividir a listagem antiga de textos publicados, deixando o acesso acertado através de links que levam às publicações em separado dos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012 ainda em curso.
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É um pequeno sistema de links para guiar o leitor que queira consultar os textos já publicados com acesso direto. Os links principais e que levam aos índices de cada ano estão localizados na barra superior do lado direito na forma mostrada abaixo: Agradeço aos leitores que frequentam este espaço e com este pequeno acerto a intenção é facilitar a leitura dos artigos e a pesquisa em outros mais antigos, à vontade do leitor. Nos temas políticos, mesmo coisas de muito tempo atrás se relacionam com as de hoje, de uma forma ou de outra.
Mais uma vez agradeço a presença e comentários dos leitores e desejo uma boa leitura.

sábado, 3 de março de 2012

D35 São Paulo não é Estocolmo

Mas os ciclistas paulistanos continuam achando que é...
Morreu ontem na Avenida Paulista mais uma ciclista paulistana, no clássico roteiro desses acontecimentos. Andando de bicicleta no meio de uma via expressa, com carros se digladiando num trânsito caótico, após discutir com outro motorista que avançou para cima dela, terminou se distraindo ao chamar a atenção do motorista, perdeu o equilíbrio e caiu na frente de um ônibus que trafegava no sentido correto, em velocidade correta para e trecho e o mais importante, o motorista mantinha o veículo perfeitamente colocado na faixa destinada aos ônibus, sendo que a ciclista é que se desequilibrou e caiu bem na frente do ônibus, com o que o motorista nada pôde fazer. Lamentemos pela perda dessa vida, tão cheia de promessas.
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Conforme o relato das testemunhas, tanto dentro como fora do ônibus, o motorista dirigia em velocidade normal e pôde apenas frear o ônibus depois de acontecido o acidente. Na foto feita pelos repórteres após o acidente, vê-se o ônibus perfeitamente posicionado no corredor que é destinado a ele e parado a poucos metros do local do atropelamento, o que mostra que sua velocidade era normal para o trajeto. O motorista mal conseguindo falar depois de tudo, ficou em estado de choque olhando o resultado de tudo aquilo.

Na verdade, o motorista ficou olhando o resultado do modo como os ciclistas paulistanos encaram o trânsito de São Paulo. Encaram como se fosse o trânsito de Estocolmo, na Suécia, onde uma legião de ciclistas anda tranquila nas faixas das ruas destinadas aos ciclistas enquanto que os veículos de todos os tamanhos andam tranquilos em suas pistas e ninguém machuca ninguém. E os ciclistas de São Paulo, mesmo sabendo do perigo, saem andando no meio dessa arena de gladiadores motorizados como se fossem invulneráveis a tudo isso, em nome da "liberdade de transitar". O resultado só pode ser esse. E tanto é que dos inúmeros casos diários de ciclistas atropelados, apenas um ou outro vira notícia, talvez porque haja uma equipe de jornalismo por perto, como foi neste caso. O resto vira apenas estatística dos acidentes de trânsito.
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Andar de bicicleta no meio do trânsito de São Paulo só se compara a fazer uma roleta russa, com a diferença de que na roleta russa o sujeito tem mais chances de sobreviver. Morei em São Paulo por alguns anos. Fui do interior para a dita metrópole e na mudança levei minha bicicleta, afinal tinha ouvido falar das manhãs de domingo onde todos andam de bicicleta pelos parques. Assim que fui vendo como era o trânsito por lá, ao ver como como os carros e ônibus se jogavam uns em cima dos outros e como faziam os pedestres darem pulos para escaparem por pouco de serem atropelados, não tive dúvida. Em todos os anos em que morei em São Paulo, deixei minha bicicleta bem guardada num canto do meu apartamento. A dita cuja rodou em São Paulo apenas da calçada até o apartamento e anos depois do apartamento até o caminhão de mudança para o interior, onde hoje roda tranquila.
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Cansei de ver ciclistas descendo a Rua da Consolação disputando espaço com ônibus e caminhões, vi ciclistas indo de um lado para o outro perto da Praça da Sé, outros fazendo voltas na Praça da República como se carros e ônibus estivessem em outra pista. Com as reportagens que volta e meia eram mostradas na televisão sobre acidentes com ciclistas, em momento algum me arrependi de ter deixado minha bicicleta bem guardada.
Podemos fazer uma comparação com países que foram atingidos por guerras civis e tiveram muitas partes do seu território minadas e tornadas perigosas, mortais mesmo para que alguém caminhe por lá. Hoje soldados especializados olham cada metro do terreno e vão localizando e desativando as minas, uma a uma. Ninguém, por mais corajoso que seja, vai sair andando nesses campos minados em nome "da liberdade de caminhar".
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Pois os ciclistas de São Paulo, em nome da tal "liberdade de transitar" tem uma atitude semelhante à de andar aos pulos num campo minado. O que é que um sujeito montado em cima de uma bicicleta de 1,5 mt. de comprimento com uns 5 quilos de peso vai fazer no meio de ônibus e caminhões de 10 mts. de comprimento e 5 toneladas de peso?
Quase sempre, pelo que vemos nos noticiários, vai parar embaixo deles. É uma pena que isso ainda aconteça, mas também é uma imprudência e das suicidas andar de bicicleta numa cidade como São Paulo, com o trânsito que tem, que mais parece uma arena de gladiadores motorizados.
Um dia São Paulo vai ter um trânsito como o de Estocolmo, onde ciclistas e motoristas irão conviver em paz.
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Se até esse dia ainda existirem ciclistas em São Paulo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

D32 Cachorro inútil

E depois de tudo, ele fica só olhando...
Levantei hoje decidido a dar cabo do último toco de árvore que havia ficado no quintal. Eu já tinha arrancado seis outros tocos e paguei meus pecados com a força que tive que fazer. Com a chegada de mais chuvas o quintal virou um lamaçal. Então fui preparar mais ferramentas e esperei os dias chuvosos passarem.
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No quintal, o toco que havia sobrado, tal qual condenado no corredor da morte, aguardava seu destino. Mas corajoso, nem sequer lhe passou pela cabeça tentar uma fuga durante a noite. Encontrei-o de manhã no mesmo lugar, altivo e sereno, pronto para enfrentar a sentença de morte, tal qual os condenados dos contos de heroísmo.
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Então comecei a a cavar o fosso em volta com a picareta. Mas grosso como era, o toco não ia entregar a pele ou melhor a casca tão barato. Já cansado de travar a ponta da picareta entre as raízes para depois forçá-la para a frente arrebentando todas elas, fui executando a sentença de morte. Dei mais umas marretada para começar a soltar o toco da base e voltei a cavar de lado com a picareta com golpes de arrasar e o toco firme, sem pestanejar e nem gemer me fazia passar vergonha na frente do meu cachorro, que deitado perto dalí, se aquecia no sol da manhã bem folgado, me olhando intrigado, pensando com certeza em que tipo de coisa eu estava a derramar bagas de suor pela testa.
Mas se o toco estava condenado, não deixou também de arquitetar sua vingança. Depois de mais um golpe fundo, travei a ponta da picareta numa raiz das grandes. Com certeza essa era a última. Forcei o corpo para a frente com toda a força, ouvi a raiz estralando e aí o toco se vingou com um último suspiro. A raiz arrebentou de uma só vez. Com as mãos segurando firme o cabo da picareta, forçando a raiz com o peso do corpo bem inclinado e com os pés para trás, eu só poderia ir para um lugar, para o chão. Ainda levei uma perna para a frente para me apoiar, só para enroscar o pé numa raiz que havia ficado bem para fora da terra. E aí foi a vingança do toco. Antes de poder tirar as mãos do cabo da picareta e com o pé enroscado, fui de boca no chão, justo no cimentado do lado do toco. Meus lábios serviram de almofada para os meus dentes que ainda latejam.
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Enquanto isso, esse cachorro inútil ficava olhando tudo, talvez pensando que fosse uma espécie de jogo entre o toco e eu e pelo jeito, enquanto via eu me levantando com a boca cheia de areia e com um fiozinho de sangue começando a descer, ele deve ter pensado que o toco ganhou. E continuou feliz tomando sol enquanto fui para o banheiro olhar o estrago no espelho.
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Na medida em que olhava e sentia o dente latejando mas ainda no lugar, pelo menos e espero que continue assim, meu lábio já ia virando um beiço enorme, cortado e inchado. Que situação. Enquanto estava no banheiro, vi esse cachorro passando para deitar bem sossegado no tapete da sala. Que inútil.
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Voltei lá e aí o toco saiu fácil, foi só levantar com uma ponta de ferro que fiz e pronto, o último toco saiu do quintal. E enquanto isso sentia o gosto de sangue na boca e o agora beiço latejando. Lavei as ferramentas, tomei banho e olhei de novo o beiço enorme. Olhei bem os dentes da frente e me pareceu ver uma trinquinha pequena num deles. Tomara que continuem no lugar.
Assim que me vesti, ainda sentindo o gostinho de sangue na boca, afinal cortou por fora e por dentro, esse cachorro desclassificado aparece na minha frente abanando o rabo, com seu habitual jeito de dizer que é hora do almoço dele e ele quer ração.
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Que mais eu podia fazer a não ser servi-lo? Cachorro inútil. Podia ter avançado para cima do toco, ter-lhe dado umas dentadas, ter escavado valentemente em volta do toco me ajudando, mas que nada, ficou lá tomando sol e só me olhando caído de boca no chão.
E ainda por cima tenho que servir ração para ele. Eu já tenho dúvidas se sou dono desta casa ou só um mordomo aqui. Que situação. E toca a passar remédio no beiço.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

D31 Eu não acredito e ele não gosta de mim

Apesar de não existir, ele não gosta de mim, ao menos por hoje...
Sou ateu. Mas parece que Deus, apesar de não existir, ao que tudo indica não gosta de mim. Ou pelo menos hoje não. Parece que assim que acordou, foi espreguiçar-se na janela do Céu e deu de cara comigo andando aqui embaixo na Terra e não ficou propriamente feliz comigo, sabe-se lá porque. Seja lá como for tive uma dura luta capinando o quintal com a enxada escapando toda hora do cabo. Já tostado pelo sol da manhã, que estava bem forte, tratei de ir ao mercado para comprar pão.
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Mas não achei nem pão doce e nem de forma, pão tinha acabado e nesse horário sempre sobra. Até mesmo a televisão de cachorro, que é como chamo aquela máquina com um monte de frangos assados virando de um lado para outro já tinha sido recolhida. Comprei umas bananas para fazerem o papel de pão e fui voltando para casa que uma parte do capim e quatro tocos de árvores ainda estavam me esperando.
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No caminho vejo um carro passando e decididamente o passageiro jogou pela janela uma maleta tipo executivo certinho numa dessas armações de arame para colocar lixo e o carro sumiu esquina abaixo. Ora essa, com tanto assalto de caixa eletrônico por aí, pensei que de repente podiam ser alguns meliantes que estivessem pondo uma maleta cheia de dinheiro fora para escaparem de alguma batida da polícia. Um golpe de sorte e além disso achado não é roubado. Fui conferir a maleta, até meio velha, mas só tinha um jornal velho dentro, não tinha mais nada, eram as dobradiças que estavam arrebentadas e provavelmente não valia a pena o conserto. Achar maleta com dinheiro? Essas coisas só acontecem no cinema.
Depois do almoço voltei a capinar o quintal. Sol de uns 37°C mas tudo bem, depois de algum tempo o corpo ignora o calor. A verdade é que não tive outra saída. Bem que tentei contemporizar com reflexões ecológicas, mas aquelas urtigas e carrapichos passaram a semana inteira me olhando com cara de quem não ia arredar pé dalí de jeito nenhum. Não me deixaram outra alternativa. Tirei minha enxada do coldre e fui para o duelo. Mas tenho que admitir. Os carrapichos e urtigas foram tipos durões. Não deram um passo para trás. Foram destemidos até o fim.
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Quem sabe a fortuna me sorria aqui. Talvez exista algum tesouro oculto no quintal e que se revele agora. Cavo quase meio metro para tirar um cano velho. Ora, no velho seriado Dallas o patriarca da família ficava rico achando petróleo assim. Ou quem sabe talvez eu ache ouro. Achei. Não é bem ouro mas é uma moeda de 5 centavos de 1969. Pelo menos uma lembrança de bons tempos.
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Achar petróleo ou ouro ou maleta de dinheiro só no cinema mesmo.
Continuo capinando e a enxada, já parecendo ter vontade própria continua se soltando. Parece ter lido os sonetos de Castro Alves contra a escravidão e decidiu dar a si mesma a sua própria carta de alforria, mas termino com as odiosas ervas daninhas. Um erro de Deus, sem dúvida. Quando o quintal está limpo, os passarinhos ao ciscarem por alí soltam com seus dejetos sementes de carrapichos, urtigas e todas as outras plantas que só infernizam a vida do ser humano. Já que Deus inventou isto não podia ter feito os passarinhos deixarem sementes de pés de laranja, pés de maçã, ramos floridos, ervas medicinais e coisas assim? Não, Deus achou que devia ser assim e assim até hoje é, que coisa.

Terminado o confronto com as ervas daninhas me preparo para a luta contra os quatro tocos de árvores, que corajosos nem sequer encenam sair do lugar em que estão. Esses tocos, com raízes nada desprezíveis pelo que eu já tinha visto dão um trabalho e tanto. Já tinha pedido umas dicas para o pessoal que cuida de jardins e as notícias foram todas desanimadoras. Não tem mágica, tem que cavar de lado, fundo e fazer mais força do que trator de prefeitura. Mais um erro de Deus. Certo, as árvores tem que ter raízes firmes para não saírem voando na primeira brisa, mas na hora da gente arrancar devia ser assim, a gente puxava e ela saia como se fosse um pé de alface, mas não, Deus tinha que fazer assim, não é ele que vai arrancar mesmo.
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Parto decidido para a luta contra o primeiro toco. A cada golpe da picareta, ela se enterra no chão e se enrosca nas raízes. Aí faço uma força de que não me sabia capaz e as raízes vão cedendo. De vez em quando paro e vou tomar água. E toca a ir rodeando o toco com a picareta, o fosso em volta aumentando e aquele monte de raízes arrebentadas subindo. Nem acredito. Quando eu já estava para jogar a toalha e abandonar o ringue, o toco cede e sobe com tudo, olho para o buraco que ficou e limpo o suor da testa. Puxa vida, foi-se o primeiro.
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Vou para cima do segundo toco e quando dou o primeiro golpe, cravo a picareta fundo e dou um empurrão com toda a força e escuto o estralo. Não consigo acreditar. O cabo da picareta, com toda a grossura que tem, se partiu. Não tenho como continuar. Fim da partida. Arrumo as coisas e deixo para amanhã.
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Vou tomar um banho e assim que abro a torneira, surpresa, não tem água. Vai voltar, como acontece as vezes, quase de noite. E eu com terra até nos cabelos. Decididamente Deus hoje não estava muito contente comigo. Mas já que Deus existe, como dizem, já que ele uma vez jogou tanta água na Terra que afogou todo mundo, será que não dava para jogar um pouquinho de água pelo chuveiro só para um banhozinho? O que é isso homem, mude de humor comigo. Mas nada, só uma pequena gota cai. Mas o que é que eu fiz de errado? Que coisa.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

D29 Sabotagem

Até onde posso ver...ou comer...-
Comecei a cozinhar há um bom tempo atrás. Tentava dar sabor para minha comida com água, vinagre e um pouco de molho em pacote, uma mistura que eu esquentava com a idéia de que não ia dar certo. Além de não dar certo, eu olhava para o arroz e me perguntava porque, afinal de contas, aquilo parecia mais massa de moldar do que arroz?
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Só passando por isso é que você aprende a dar valor a uma comida bem feita. Mais ainda a um molho delicioso. Tão delicioso que não resisto e me sirvo de mais uma porção. Tenho que admitir. Esse molho é uma verdadeira sabotagem contra qualquer dieta.
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E o sabor de tudo é ainda mais gostoso quando é você que cozinha e alegria das alegrias, quando é você que fez a receita do molho que hoje usa para temperar quase tudo.
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Ô delícia de prato bem cheio.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

D28 Palavras para a posteridade

Depoimentos que lembraremos sempre...
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Em depoimentos que com certeza farão muito pelo destino dos povos, Monique Evans e sua filha Bárbara Evans deixaram revelados para a posteridade seus pensamentos nos jornais.
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Bárbara que segue os mesmos passos da mãe, posou para a revista "Playboy" em recente ensaio fotográfico, coisa que sua mãe fez e refez em mais de uma revista masculina ao longo da juventude na década de 70 e ainda na vida madura na década de 90, revelando sua grande beleza e sensualidade com ensaios fotográficos que fizeram a alegria solitária de milhares de leitores das revistas masculinas pelo Brasil afora (inclusive a minha).
Em recente entrevista, depois de ser presenteada pela apresentadora Fernanda Lima com um vibrador do qual ela alega nunca ter feito uso, ela declarou que sua mãe "precisa mais do que ela" com um riso maroto. A revelação indiscreta alvoroçou a mente dos leitores mais afoitos que nas mesmas páginas de fofocas da vida social foram procurar mais esclarecimentos.
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E deram de cara com eles. Monique Evans conta entre outras coisas que pretende se candidatar a algum cargo político. Terá com certeza muitos votos.
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Com a leva de mulheres feiosas que temos na política, uma dobradinha de Monique mãe como titular e Bárbara filha como vice seria senão bem sucedida, uma das mais belas, com direito a cartazes de propaganda supersensuais. Não seria má idéia.
Iria puxar votos e mais votos, com os eleitores mais afoitos tendo que ser retirados à força das cabines de votação.
Continuando com suas revelações, Monique afirmou que pretende se casar, mas não com um desses garotões malhados que sempre estão em festas em volta de mulheres bem conhecidas, mas que segundo ela não tem o que ela quer. Ela quer se casar com um homem mais velho, que a coloque para cima.
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Entenda-se. Os garotões malhados de festas e camarotes de carnaval estão começando a carreira agora, entram nas festas como convidados ou contratados pelas agências de acompanhantes e por isso não tem dinheiro nem patrimônio formado e assim vivem dando em cima de coroas ricas nas festas. Já os homens bem mais velhos, que tem muito dinheiro e patrimônio a perder de vista, alugam moças das mesmas agências para poderem dizer que ainda fisgam as garotas. Que estão é claro, interessadas em fisgar uma bela pensão.
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E uma gorda pensão é o que coloca muitas mulheres como Monique por cima, como ela disse. Sejá lá como for, se sua candidatura realmente se concretizar, ela com certeza terá o apoio das grandes sexshops do seu estado.
Vote em Monique e sinta a diferença. Está aí um bom slogan de campanha.

sábado, 10 de dezembro de 2011

D26 A mansão

Afinal chegamos...
Saí no último fim de semana a caminhar sob um delicioso sol de uns 35 graus. Na estrada, com o ar quente subindo a sensação é de mais calor. Explico o porque disso. Caminhar ajuda a manter a forma e o peso dentro de uma margem razoável e quando se caminha numa tarde de sol bem escolhida, a resposta do corpo com o tempo tende a ser de maior resistência e uma sensação de bem estar que vem depois com o cansaço saudável que isso provoca e que ajuda num relaxamento geral quando a pessoa retorna para sua casa.
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Quem andava ultimamente aborrecido com minhas caminhadas é o meu bom amigo cachorro, o Bóbinho. Já com 8 anos de idade, acabei de ver nessa último fim de semana que deve ser mesmo verdade que cada ano de vida do animal vale por uns 10 do ser humano. Se andava se sentindo excluído nas tardes em que eu saía e o deixava em casa para caminhar com ele apenas na parte da noite num trecho curto, ele deve ter mudado de idéia na última caminhada.
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Decidi levá-lo para uma caminho que ele já fizera lá por 2005, já que ele demonstrava tanta vontade de seguir pelo mesmo caminho. E lá fomos nós, eu e o meu velho amigo de nome Robert D'Artagnan Flingo, convenientemente encurtado para Bóbinho, que soa menos solene.
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Ora, ocorreu que na medida em que chegava numa curva da estrada com o sol pelando, eu avançava por mais um trecho. Chegando lá, achava interessante ir até a estrada de ferro, velha conhecida do meu amigo, que ainda caminhava valente. E lá fomos até alguns quilômetros a mais do que o pensado. Já bem longe e com o sol pelando, o meu amigo que até esse ponto caminhava como um cachorro maratonista, súbitamente foi perdendo as forças como esses brinquedos de pilha que ligamos depois de muito tempo parados, que funcionam um pouquinho e logo depois travam.
Foi começando a bufar de tal forma que achei melhor voltar com ele. Mesmo caminhando mais devagar o meu amigo foi pondo uma língua para fora que eu achava que ia encostar no chão. O cansaço bateu nele de tal jeito que comecei a considerar a hipótese de carregá-lo nos braços se a situação piorasse.
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Por pouco ele não entrega os pontos. Geralmente caminha na minha frente, olhando e cheirando tudo, mas alí tive que andar mais devagar e parar na sombra para ele se refazer. O interessante é que já caminhamos uns 10 quilômetros nessa estrada, no mesmo horário e ele foi firme e forte, mas nesse dia pensei que ou é verdade que o cachorro envelhe mais depressa do que nós ou então estava mesmo completamente fora de forma.
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Seja como for, aos poucos chegamos na cidade, dobramos as ruas e logo ele estava me vendo abrir o portão. Minha casa é simples, mas para ele deve ter parecido a melhor das mansões. Lá dentro havia a tina de água que ele bebeu como deu e acima de tudo o cimento frio da sala, onde ele se deitou ainda bufando, mas começou a se sentir no paraíso. Logo estava respirando normalmente, deitado de orelhas baixas e quase pegando no sono, esparramado no cimento fresco.
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Saí depois para ir no mercado comprar algumas coisas, mas quem disse que ele dessa vez ficou de cara feia, com jeito de quem queria sair? Ao contrário, foi rápido para sua casinha e só retornou para a sala quando voltei e o chamei.
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Talvez crente que eu estivesse abrindo o portão para outra caminhada compulsória, preferiu ficar escondido até verificar que estava tudo seguro e podia enfim ir se deitar lá na sala novamente.
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Depois de ter bebido quase toda a água da tina, de ter comido um pouco de ração, agora ia se deitar no cimento fresco da sala. Isso é que é mansão para um cachorro.