segunda-feira, 27 de agosto de 2012

D38 A melhor mesmo?

Quem será que disse isso...?
Há poucos dias eu estava vendo uma entrevista na televisão onde uma moça que provavelmente deve trabalhar em algum serviço de assistência social dava uma entrevista falando sobre a melhor idade e o cinegrafista mostrava um salão de baile cheio de mulheres e homens de mais ou menos 80 anos, talvez os mais novos. 
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Com todos dançando como se estivessem engessados ou quebrados e com a artrite visível na maioria, a repórter sorria fechando a matéria toda feliz falando sobre a melhor idade, que sinceramente me pergunto, é essa aí? 
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Eu dúvido, pois só de estar chegando perto dela fico arrepiado ao constatar as mudanças que ocorrem no meu corpo. Nem vou falar das moças lindas que um dia vi na praça aqui perto e que hoje, no mesmo caminho, estão simplesmente irreconhecíveis. Mas parece um costume de todos chamar essa idade de "a melhor idade".
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Artrite, problemas cardíacos, diabetes, juntas, músculos e nervos que não funcionam mais, remédios para todos os lados, bengala no lugar de chaveiro e movimentos tão ágeis quanto os de uma múmia e o que é pior, em certos casos a aparência é a mesma. Para azedar as coisas em definitivo, os que estão nessa idade geralmente tomam sopa, mas não porque gostam, é que os dentes caíram, fora outras coisas que já caem bem antes. E chamam isso de a melhor idade?
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Depois de ter chegado aos 57 anos razoavelmente saudável e mesmo assim ter problemas, especialmente de constatar como a gravidade parece aumentar a força dela na medida em que os meses passam, só posso discordar de darem esse nome a uma idade que fez com que os espanhóis quando da  descoberta das Américas passassem anos enfiados no meio  das selvas  procurando a mítica fonte da juventude que tinham ouvido falar em estórias de índios.
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Se essa idade fosse tão boa assim, quem iria perder tempo procurando essa fonte?  

Estando nessa idade ainda, já me parece que essa tal de melhor idade é a mesma coisa que estar no convés de um navio afundando e com o mar cheio de tubarões, cada um atendendo pelo nome de alguma doença que só chega nessa tão falada melhor idade. Geralmente quem fala está longe dela, como a repórter que fazia a matéria. Se essa idade fosse tão boa, as mulheres não comprariam creme para alisar a pele, mas sim para enrugar.
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Nesse quilômetro da estrada da vida e tendo chegado pelo menos com o consolo de uma saúde que se não é perfeita ao menos aceitável para esses tempos, perto de amigos meus que se arrastam atrás de médicos o tempo todo, fico pensando no que existe depois da curva e imagino uma coisa.

Será que não dá para fazer o caminho inverso? De volta para os anos 80? Ou 70?
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Que situação.
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

L13 O milagre gripado

E assim a procissão vai andando...
Por esses dias eu estava vendo uma missa do lado de fora da igreja e foi interessante no momento em que o padre ou diácono, nem sei qual dos dois era, invocava o dom das línguas e começava no maior fervor a falar o linguajar incompreensível que os fiéis católicos e evangélicos dizem ser a língua do Espírito Santo. Enquanto isso os fiéis também começavam a dar gritos e pulos com os braços levantados. Passado o momento mais frenético de tudo, o pregador ainda com a voz alterada, começou a falar em curas, milagres, libertações e tudo mais.
Fui acompanhando a pregação e o pregador não deixou de citar pessoas que ficaram curadas da AIDS, paralíticos que voltaram a andar e coisas do tipo, que é claro, são verdadeiros milagres concedidos a pessoas das quais nunca sabemos o nome e que nunca aparecem para dizer que ficaram curadas. Também nunca moram na cidade de ninguém que as conheça. Mas a crença dos fiéis é inabalável. Na verdade, se formos olhar bem de perto, essa crença não é tão inabalável quanto querem fazer crer. 
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Um pequena notícia no jornal Folha de São Paulo neste dia 13 de julho de 2012, justo uma sexta-feira confirma que os fiéis acreditam sim na proteção divina, no ditado que diz para não se preocuparem com nada que "Deus proverá",  que Deus os protegerá de qualquer perigo e coisas do tipo, mas  por via das dúvidas é bom tomar o remédio, consultar o médico e colocar o cinto de segurança e coisinhas assim. Lógico que aí os fiéis não querem reconhecer, mas nessas horas a crença já está mais para conto do vigário do que qualquer outra coisa.
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Vejamos alguns pequenos detalhes que deixam a fé meio de lado na hora do vamos ver.   
Deus protege os fiéis dizem os padres, que afirmam que sobre qualquer dúvida eles podem contar com a proteção divina. Mas justo na igreja, na chamada casa de Deus, parece que esse ditado não é levado muito a sério. Ou como diz a manchete do jornal, exatamente por medo da gripe A, missas foram suspensas no Rio Grande do Sul. Mas e a proteção divina? O padre não é um dos representantes de Deus na Terra? Nessas horas os fiéis se entreolham sem saber o que fazer. A missa onde os fiéis se abraçam, se beijam e tudo mais está suspensa porque é exatamente o abraço e o beijo de um cristão que podem fazer algum outro ir para o cemitério.
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Quanto ao padre com sua milagrosa imposição das mãos, é exatamente com isso que ele pode enfiar um fiel no hospital quando não no caixão.

A mais desconcertante constatação de que nem mesmo o mais alto sacerdote católico acredita nisso vem do próprio Papa, que diz a seus fiéis no mundo todo que Deus os protegerá, que todos estão sob a proteção divina, que a proteção divina nunca falha e por aí vai.
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Mas o próprio Papa prefere andar num carro com vidros blindados, à prova de atentados. De todos os grandes dignitários religiosos do mundo, o maior sacerdote dos católicos e que alguns acreditam até que seja capaz de milagres, é o único não dispensa o carro blindado e anda sempre dentro dele. É assim o primeiro a mostrar que não acredita no que prega.
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Alguns fiéis ainda dizem que isso é para proteção do Papa, para prevenir, afinal nos dias de hoje, com esses atentados e terroristas a solta, nunca se sabe. Mas ora essa, se o Papa é o representante de Cristo na Terra, o filho mais querido de Deus por essas bandas, não deveria ele então abandonar tudo nas mãos de Deus e andar de braços abertos no meio do seu povo, acontecesse o que acontecesse, que seria de qualquer forma a vontade de Deus?
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Mas o Papa não pensa assim e prefere a segurança do seu papamóvel, que o deixa a salvo de qualquer eventual martírio que poderia sofrer nas mãos de algum desatinado, mas que seria a vontade divina. Mesmo assim o Papa prefere que histórias de martírio fiquem só na biografia de Jesus, de Pedro, de Paulo e outros que tiveram uma morte trágica na senda do cristianismo.   
O Papa acredita que Deus tudo proverá e que Deus a todos protege, mas prefere não arriscar.
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Não é de admirar que os bancos das igrejas católicas estejam se esvaziando e não é por medo da gripe A.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

D37 Mais infiltrados

É a única explicação...
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Continua a ação dos infiltrados nas emissoras de televisão, provocando estragos na audiência  e críticas tão negativas que a criação e produção de certos programas só podem obra de agentes infiltrados por alguma emissora concorrente.
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Já tem mais de uma semana que vai ao ar o programa de Fátima Bernardes na rede Globo, que ao que tudo indica deve ter sido criado como uma espécie de prêmio de consolação pelo fato de a jornalista ter deixado a bancada do Jornal Nacional. Parecendo mais uma reunião de amigas para um chá beneficente, o programa tem despertado antipatia e apatia a tal ponto que os internautas em comentários o chamaram de Encontro com Chátima Bernardes.   
Nesta semana estreou o programa Na Moral, também na rede Globo, apresentado por Pedro Bial. Parece igualmente outro programa criado como prêmio de consolação, já que o apresentador do Big Brother só aparece a cada edição do chamado reality show.
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É um programa de perguntas e respostas ou melhor tentativa de respostas, já que o apresentador fala mais do que locutor de futebol e não deixa o entrevistado responder a pergunta. Também caiu no desagrado dos telespectadores logo na primeira edição.  
Enquanto isso o SBT está em festa. Com a estréia da novela Carrossel, remake da novela mexicana exibida em 1990, o SBT festeja a vice-liderança folgada. Gastando muito pouco dinheiro com seus seriados e desenhos baratos como Chaves, Chapolin e outros do tipo, o SBT vê seus concorrentes amargando baixa audiência em seus programas e o que é pior, gastando muito dinheiro para resultados tão desanimadores. 
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Enquanto isso, a rede Record, depois dos erros cometidos em jornalismo, teledramaturgia e programação em geral e já disputando a penúltima colocação com a TV Cultura, já que a Rede TV não conta, tratou de empurrar sua finada novela Máscaras para o horário da meia-noite, para que o vexame da audiência quase zero seja menor. Como ela é controlada por bispos fiéis ao bispo chefe Edir Macedo, que não admite contestações, a tragicomédia de erros na absurda troca de horários e na inserção de seriados no horário de outros programas anunciados, continua sem alterações.
Continua válida a idéia de diretores de programação infiltrados, tal qual no filme Os Infiltrados, em que um chefe do crime tinha um policial infiltrado em sua quadrilha, ao mesmo tempo em que tinha conseguido infiltrar um dentro da polícia.
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Fica simplesmente impossível de entender como diretores de programação em emissoras que movimentam milhões de reais em faturamento cometam tais erros sem apelar para a idéia de um misterioso chefe de algum canal de televisão, que escondido nas sombras esteja conseguindo tudo isso com seus agentes infiltrado para derrubar a audiência dos concorrentes.
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Pelo jeito, ele conseguiu, tal qual no filme. Ou então estamos assistindo o fim dos canais abertos.   
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

D36 Os infiltrados

Só sendo agente secreto da concorrência...
Prossegue na rede Record uma espécie de novela à parte, que acontece dentro da alta direção da emissora e de trama das menos agradáveis. É simplesmente novelesco o enredo do que ocorre com as mais recentes decisões dos administradores dessa emissora de televisão, que se há algum tempo atrás chegou a provocar perdas visíveis na rede Globo, por hoje se debate numa crise criada justamente por quem deveria elevar a emissora a níveis não alcançados por nenhuma outra estação competidora da rede Globo. -
A "concorrência" é como ordenam os administradores da rede Record que seja chamada sua grande rival, a rede Globo, que hoje com certeza dá risadas dos tropeços que os membros da direção da Record provocaram para si mesmos, para a emissora e para todo um contingente de técnicos, atores, roteiristas e diretores da programação em geral, que se fossem bem aproveitados teriam criado uma nova opção me televisão no Brasil.  

Segundo os comentaristas de jornais e portais da Internet, a rede Record é obrigada a obedecer todas as decisões de seus chefes, oriundos todos da Igreja Universal do Reino de Deus, de onde dá as ordens o chefe deles, o conhecido e auto-intitulado bispo Edir Macedo. Seja lá de quem venha as últimas ordens, não se consegue entender que erros tão primários tenham sido cometidos, deixando sua audiência além de aborrecida, desorientada e sentindo-se no mínimo como a parte menos importante de tudo. O resultado é o que se tem visto, a audiência cai dia a dia e a emissora que chegou a alternar primeiro e segundo lugar com a rede Globo durante mais de um ano, hoje se vê brigando pelo penúltimo lugar com a TV Cultura. -

Nenhuma emissora pode se dar ao luxo de perder uma atriz do porte de uma Bianca Rinaldi, que alicerçou a refilmagem da novela da Globo "Escrava Isaura" com tamanha competência que boa parte da audiência da sua "concorrência" migrou para a rede Record. Aliás, no geral, atores, atrizes, roteiristas e o pessoal da televisão em geral trabalharam tão bem que a rede Record como num passe de mágica tornou-se conhecida no Brasil inteiro. Não é pouco para uma emissora que anbtes só atingia os limites da cidade de São Paulo. 
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Porém, após conseguirem uma posição confortável na teledramaturgia, no jornalismo e nos programas em geral, os bispos chefes da emissora desandaram a encenar uma comédia de erros tão gritantes que não se sabe se são intencionais ou se resultam de uma visão tão obtusa da programação televisiva e ao mesmo tempo desconsideram tanto o telespectador que o resultado só poderia ser essa queda continua de audiência.
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A tal ponto que os ufanísticos comerciais da emissora cantando o refrão "a caminho da liderança" já foram discretamente tirados do ar. 
Existe um filme chamado "Os Infiltrados" onde um chefe do crime sem saber, tem dentro de sua organização um policial infiltrado. Ao mesmo tempo esse chefe tem dentro da polícia, que tudo ignora, um agente seu também infiltrado e a trama roda de forma eletrizante em torno disso.
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Hoje as sequências de erros primários cometidos pelos bispos administradores da rede Record são de tal forma tão inacreditáveis que depois de ver um filme como esse, qualquer telespectador fica pensando se esses bispos, longe de serem bispos em suas igrejas e administradores realmente devotados aos crescimento e contínuo fortalecimento de sua emissora, não seriam na verdade, agentes infiltrados da "concorrência".
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Com o espetáculo absurdo de erros cometidos praticamente todo dia, é a única conclusão a que se consegue chegar. 
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

L12 Grandes expectativas

Grandes expectativas, mas na prática...
Depois de consertar o pequeno rádio que me fala sem parar das coisas da vida, estava eu de novo ouvindo os pregadores da rádio católica Canção Nova. Confesso que é divertido o que se ouve em certas pregações. Em certos momentos os carismáticos destilam seu ódio pelos padres reformistas ou marxistas, os antigos padres da Teologia da Libertação da década de 80, o que é compreensível. Depois do caso do Frei Leonardo Boff, que terminou condenado ao silêncio por ninguém menos do que Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI e na época chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, vertente da igreja que defende a ortodoxia e atraso religioso e social. A Teologia, apesar de ser mais encenação do que verdade irritou o alto clero da Igreja que queria tudo, menos entrar em choque com os grandes latifundiários e os piores e mais atrasados chefes políticos sul-americanos, que sempre lhes garantiram grandes riquezas e leis favoráveis, enquanto que os padres, em contrapartida tratavam de disseminar a ignorância e o conformismo entre os pobres.
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E justo nessa noite estava um pregador a contar que tinha uma reza milagrosa e coisas do tipo. Que uma mulher grávida, que já estava segundo os médicos, com o feto morto no útero e até já em decomposiçào, inconformada pegou um avião até Londres onde estava o pregador, que rezou sobre uma foto da família dessa mulher e milagre dos milagres, o feto voltou à vida, se recompôs dentro do útero e nasceu com perfeita saúde. Custa crer que esse pregador, capaz de ressuscitar até um feto em decomposição não saia pelos hospitais brasileiros curando todos os doentes que agonizam na porta deles, enquanto que a campanha que seus chefes bispos levam aos ares é precisamente sobre a saúde do brasileiro. Isso ele deixa para o Espírito Santo.
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Um pouco antes, um outro pregador falava dos momentos em que orava a Deus pedindo a ele que o usasse para curar aleijados, ressucitar pessoas e fazer grandes milagres. E logo após contar essa estória, desatou a abençoar as pessoas dizendo que quem estivesse com dor nas costas, dor nos braços, dor nas pernas e outras dores conhecidas dos farmacêuticos, agora em nome de Jesus estava curado. Mas sobre ressuscitar alguém, não disse nada. 
Todos nós temos grandes expectativas na vida, sem dúvida, mas convenhamos que de colocar-se no rol dos ungidos para ressuscitar pessoas e terminar curando dores do lombo, do pescoço e das pernas, é no mínimo decepcionante. É como encontrar uma pedra dourada que se acredita ser ouro e depois descobrir que apenas foi pintada de dourado com tinta barata.
E depois de certo tempo, entrou um pregador desses que fala a língua do Espírito santo, o que eles dizem ser o dom de línguas. Notei que houve um progresso na língua que o Espírito Santo fala aos seus fiéis. Quem ouvir essas pregações, ouvirá o Espírito santo dizendo o seguinte e interminável refrão "Ala-bala-ba-ala-re-a-la-lá" com algumas variações, mas que lembra muito as músicas da Xuxa, com seu conhecido "ila-ri-ê" que foi sucesso entre os baixinhos na década de 90. Pois nessa noite o Espírito Santo decidiu talvez deixar o sotaque do pregador mudar seu jeito de falar. Ouvi o pregador a falar, ou melhor, como dizem o Espírito Santo falando desta vez da seguinte forma "Ô-cho-ro-chô-cho-rô-mo-le-le" e por aí foi um bom tempo.
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Sempre me pergunto porque o Espírito Santo, que segundo os crentes é o próprio Deus tem a pachorra de descer até a Terra e falar para seus filhos nessa linguagem incompreensível, ao invés de por exemplo, de forma beatífica e enternecedora repetir um sermão que tocasse todos os corações em palavras claras e plenamente compreensíveis. Mas os fiéis tem uma explicação quando questionados sobre isso. Dizem que isso é o dom das línguas e não importa que ninguém entenda nada. Nas reuniões dos fiéis, depois de ouvirem esse chororô todo, eles sabem exatamente o que devem fazer, pois isso lhes foi revelado através dessas contorsões verbais, consideradas revelações divinas, se bem que nem o Papa seja capaz de entender nada do que foi dito.    
E assim continuam as pregações, que confesso, são interessantes de se ouvir. Grandes expectativas, mas na pratica, nem tanto. Apenas contorsões e malabarismos verbais e milagres relatados de pessoas com todo tipo de doenças curadas, mas dentro de hospitais, nunca ao vivo no palco onde estão os pregadores. São coisas da vida. E das grandes expectativas.
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quinta-feira, 17 de maio de 2012

R51 O tempo não para

Como na música...
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Saiu hoje a notícia da morte de uma cantora americana. Lamentei a morte e lembrando dela comecei a recordar muita coisa do passado. Uma delas é como vamos aprendendo a ver que, como dizia uma canção, o tempo não para.   
Leva tempo para ver isso e uma das coisas que vemos é como o tempo não poupa ninguém. Homens e mulheres veem o dito cujo passar implacável e levar com ele muita coisa nossa.
Ao longo dos anos começamos a notar no espelho que de forma incômoda começam a cair os cabelos. Nem todo mundo passa por isso, só a maioria do homens. Alguns amigos meus mais precavidos e para poupar tempo talvez, já trataram de perder os cabelos pouquinho depois dos 20 anos. Eu pelo menos ainda uso o pente.
Com o tempo avançando, outras coisas começam a cair. A parte de baixo do queixo, a barriga que teima em sair por baixo da camisa e olhamos as fotos de 30 anos atrás e nem acreditamos que tínhamos aquela barriga retinha. O pior é que outras coisas que deveriam ficar em pé começam a cair também nos momentos mais inesperados.
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Vemos aquela moça linda que era nossa paixão secreta também de 30 anos atrás e que íamos olhar na praça a noite. E hoje olhamos para ela e não acreditamos no que vemos. Como ela conseguiu ficar desse tamanho?
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Ficamos mais virtuosos como dizia um escritor mas não porque ficamos bonzinhos. É que trocamos a leitura dos rótulos das garrafas de cerveja nas noitadas pela leitura das bulas de remédios antes de dormir. 
E depois começamos a ver aqueles fantásticos artistas de cinema de filmes maravilhosos que assistimos e que foram demais em peripécias, começamos a ver cantores maravilhosos que embalaram nossas mais quentes e divertidas noites e onde vemos todos eles? 
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No noticiário que mostra nossos queridos artistas  sendo levados para o cemitério depois do velório onde foram lembrados pelos grandes filmes e pelas grandes músicas. Nós na platéia começamos a sentir que não estamos muito longe de vê-los novamente, só que não vai ser nesse mundo.
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E a vida prossegue com essas constatações. Saímos na rua e crianças muito sensíveis para o drama nos chamam de "tio". Apenas para não dizerem "ô vô, que horas são".
Por falar nisso, aquele cantor que cantava a música que dizia que o tempo não para, não sei se sabem, já morreu também. É, o tempo não para.
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Ô tempo cruel.
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sábado, 5 de maio de 2012

L11 O milagre que faltou

Só uma gota...
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Com o radinho de pilha ligado outra noite enquanto apertava uns parafusos numa peça, fui ouvindo como sempre a pregação de um padre que já tinha ouvido na rádio católica Canção Nova. O que sempre notei em suas pregações foi o tom de um pregador que apesar do verniz de modernidade, trazia intolerância contra os não crentes de sua fé. Contra os ateus como eu, desprezo, mas é parte da sua pregação durante os programas e sem maiores alardes porque hoje o politicamente correto abusa da sua existência, já meio desgastada.  

Como sempre falou o pregador, Ave Maria, Jesus, incontáveis santos e o próprio Deus traziam para os fiéis a cura de qualquer doença, libertação de problemas de todo tipo e tantas benesses que impressionam qualquer um, se bem que o estilo de pregação dos carismáticos católicos foi tomado de empréstimo dos pregadores evangélicos.   

Sendo uma característica universal do ser humano racionalizar a existência de um mundo espiritual futuro onde as misérias de sua vida atual serão transformadas em compensações e os bons estarão num paraíso e os maus estarão no que idealizam como inferno, óbvio que os pregadores falam nas rádios tanto católicas quanto evangélicas de curas e prodígios que ficam, claro, eternamente sem comprovação. Nessa noite o pregador aludia aos milagres de santos católicos, da Ave Maria pelo mundo, dos milagres em santuários católicos, falava da visita do papa João Paulo ll no Brasil e continuava sua pregação dizendo que na frente do papa aqui no Brasil ficaram os leprosos, os paralíticos em cadeiras de rodas e coisas assim. Para o ouvinte atento surgia aí um hiato interessante. Em nenhum momento ele falou que o papa curou esses doentes. Mas continuou a pregação e a platéia aplaudiu. 
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Foi aí que notei que certas datas e a forma que ele falava só podiam ser de uma gravação. Falava de coisas passadas, anos passados como se fosse no ano passado. Eram então gravações todas as vezes em que o ouvi. Fiquei surpreso de não ter percebido antes. Depois, com a exortação dele de curas, milagres e veneração a todos os santos, entrou outro locutor dizendo que os ouvintes tinham acompanhado a pregação do tão falado padre Léo. Ora, aí é que fui entender. E aí também que pude ver mais uma vez a extensão da tragédia que se abate sobre os crentes em geral, quando são atingidos pelas dores que afligem qualquer pessoa. E abandonados pelos seus santos.
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Doutrinados por seus padres e pastores, os fiéis acreditam de todas as formas nos milagres e curas, que claro, são sempre sem comprovação. Falam apenas, contam nebulosas estórias de uma época que ninguém viveu, milagres em que nomes não existem e de curas milagrosas em algum lugar remoto. Pior ainda, os milagres reportados por esses pregadores com testemunhas vivas e presentes no palco, invariavelmente trazem a sina de terem ocorrido dentro de um hospital ou enquanto o fiel milagrosamente curado recebia tratamento médico ou era operado. Não há um único relato de um fiel sem pernas perdidas num desastre que depois de orar tivesse tido a graça de acordar com elas refeitas novamente. Ou de um cego sem olhos, perdidos em algum acidente que tenha subitamente passado a ver com olhos novos, fazendo com que todos a seu redor caíssem de joelhos e convertidos. Nada semelhante.  Eu mesmo se visse um milagre desses me converteria.              
Enquanto rememorava a pregação sobre curas e milagres do padre Léo me lembrei do papa João Paulo ll, cuja doença e agonia foi vista por milhões de pessoas no planeta, mostradas pela televisão, inclusive o dramático momento em que atingido pela doença contorceu-se de dor na frente dos seus fiéis no Vaticano em Roma. Durante a sua doença, ao invés de ir em seus santuários católicos de onde se contam milagres e mais milagres, o papa foi para as melhores clínicas de Roma. Mas se as curas em Lourdes, em Medjugorge são tantas, porque não ir num lugar desses, orar e esperar pela graça divina? 
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Que efeito não teria um papa surgindo curado e refeito de sua doença pelas mãos do Espírito Santo, de Jesus, de Deus, da Ave Maria tão venerada ou de qualquer outro santo que fosse? Milhões de pessoas cairiam de joelhos, religiões inteiras do mundo mudariam para o catolicismo, mas nada. O papa seguiu seu calvário sem cura. E no momento final, não o vimos milagrosamente elevado aos céus, iluminado pela luz divina, com o que proclamaria o poder do seu deus e sua vitória contra a morte carnal. Morreu mesmo, como qualquer mortal ou qualquer descrente.
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O que não deixa de doer na consciência dos fiéis e que eles não admitem para ninguém e ficam tentando espantar esse pensamento de si mesmos, é a relembrança dos momentos em que seus pregadores sempre culpam os próprios fiéis por não terem sido abençoados com uma graça. Se a cura não veio é porque o fiel não teve fé. Se a graça não foi alcançada é porque o irmão não deixou Deus chegar até ele. E por aí vão os pregadores no momento em que tudo está bem, até que sejam eles também atingidos pelo mesmo mal que contemplam.
Me lembrei então que o pregador, o padre Léo passou mal e foi diagnosticado com câncer pouco tempo depois. Imagino a cruzada de orações que deve ter sido de novo a sina dos fiéis, orando pela intercessão da Ave Maria em favor do seu pregador, que anunciando cura atrás de cura nos seus programas se via agora abatido com essa doença. E nenhuma resposta veio dos santos. Apenas o trabalho dos médicos teve algum resultado. Nenhum santuário foi procurado pelo padre, nenhum milagre aconteceu afinal. 
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A doença seguiu seu curso e no final ele ainda pôde rezar uma missa bem debilitado e depois disso a morte cobrou seu preço. De novo a decepção silenciosa dos fiéis, que não admitem uns para os outros, nem para si mesmos que seu pregador tão próximo de Deus, de Jesus, da Ave Maria e testemunha de tantas curas e milagres foi no momento mais decisivo abandonado pelos seus santos. É a triste verdade que emerge desses fatos.   
Muitas vezes penso nesses acontecimentos. A esse Deus tão poderoso que abriu o Mar Vermelho para seu povo eleito passar, um milagre como esse teria sido uma coisa tão simples. Para Jesus também. E para a Ave Maria, teria sido por um simples dela olhar sobre seu sacerdote desvalido que ele estaria curado.
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No entanto, todas essas divindades, toda essa constelação de santos, com todo esse poder de curas e milagres, não deram desse imenso poder uma gota que fosse para salvar um dos seus mais ardorosos pregadores.
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Em certos momentos a crença é mais dura do que a descrença.
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Vellker
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