sábado, 2 de julho de 2011

D20 O que é divertido

Fim de semana com receita...
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O que é legal? É receber o aviso de um amigo de curso para ir na visita a uma fábrica. E junto receber uma anedota encaminhada.
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Era uma vez um sujeito apaixonado que se ajoelhou aos pés de uma linda moça e com lágrimas nos olhos a pediu em casamento. Ela não aceitou e ele foi embora para casa todo desanimado.
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Mas a partir daí viveu a vida de namoro em namoro, chegou e saiu de casa quando bem entendeu, fez tudo o que quis, bebeu todas as cervejas que gostava, dirigiu seu carrinho bem tranquilo e foi feliz para sempre. A fábrica. Que coisa linda. Emocionante mesmo ver uma instalação tão complexa, tão linda pelo engenho e capacidade do ser humano em fazer coisas assim.
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Inacreditável que centenas de máquinas possam trabalhar em conjunto, com uma harmonia incrível e com prensas de toneladas funcionando ao lado de peças que levam folhas de papel com a maior leveza que já vi. Fiquei emocionado e feliz.

É bom chegar em casa e o meu amigo, nem chamo mais de meu cachorro, vem me receber todo feliz, pedindo carinhos e afagos. Se não der ele fica cabisbaixo. Ele está contente pois nessa tarde está mais quente e o sol está uma delícia.
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Quando cai a noite e o tempo esfria, olho ele na casinha e ele está todo quentinho com o frio totalmente fora da casinha dele, que é um conforto só. De quebra ele abana o rabinho ao ganhar uma rodela de mortadela
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Sei que estou exagerando na comida nesses dias, mas finalmente acertei na receita de molho que fui inventando. Já anotei tudo e agora entendo porque tem gente que não passa receitas.
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Sou obrigado a reconhecer que fiz um molho delicioso. E de novo sou obrigado a encher o prato só para degustar essa delícia que fiz.

Tudo isso é divertido e bom. E toca a comer de novo.

domingo, 26 de junho de 2011

R39 Como será?

Preceitos fervorosos...
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Como de hábito, ao tomar um café agora ao cair da noite, enquanto mastigava uma bolacha liguei meu pequeno rádio a pilha para ouvir as prédicas cristãs da rádio católica Canção Nova. Não tenho religião, sou o clássico ateu que gosta de ouvir essas preleções, afinal são divertidas em boa parte dos casos e interessantes em outros. As rádios evangélicas também fazem um espetáculo à parte com suas perorações de fogo eterno aos descrentes.
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Algumas vezes ouço, como já conteceu, uma fiel seguidora pedindo a benção e mais do que isso um milagre para a aflitiva situação que vivia. Ao começar a contar o que lhe acontecia como pediu o padre locutor, a ligação caiu. Óbvio, se nem a linha o santo consegue manter no ar parece pouco provável que consiga fazer algum milagre. Em todo caso a vida continua.
E hoje enquanto uma fina garoa surgia no horizonte, esquentei o café e liguei o radinho de pilha e a locutora com grande animação na voz passava as novidades de uma pesquisa feita entre adolescentes onde 60% declaravam que queriam permanecer virgens até o casamento. Inacreditável nos dias de hoje, mas em todo caso ela continuou. Além desses entrevistados, se é que a interferência não atrapalhou o que ouvi, parece que outros 71% disseram que gostariam de recuperar a virgindade. Ora essa, então já deitaram e rolaram, experimentaram o sexo e gostaram. Se querem recuperar a virgindade é para que tudo seja feito a contento da próxima vez. Enquanto pensava de que colégio católico teria saído essa pesquisa, a locutora informou que ela foi feita nos Estados Unidos e com 5.000 adolescentes.
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Só pode ter sido feita no Bible Belt ou a parte do país chamada de Cinturão da Bíblia, onde boa parte da população é tão conservadora e apegada a dogmas bíblicos que formam um dos contrastes mais interessantes da América. Além de acreditarem na Arca de Noé literalmente, alguns acreditam que Jesus em sua segunda vinda descerá em solo americano.
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No país que criou a indústria de filmes pornôs, que movimenta bilhões de dólares mundo afora com literalmente milhões de ansiosos fregueses no mundo todo que adoram ver seus filminhos sempre que possível, com a indústria cinematográfica de Hollywood, que passa aos jovens de hoje comportamentos dos mais diversos em relação ao sexo, me parece que esses 5.000 adolescentes foram bem selecionados para essa pesquisa. E mesmo assim a maioria já deitou e rolou como se diz. E o que existe de errado nisto?
Nada, quando o sexo é bem feito, com cuidados e informação que venham de uma boa educação sexual e é gratificante para os dois jovens amantes, envolvendo-os em amor e felicidade. Que o digam os jovens dos países nórdicos, onde essa educação é dada desde a escola básica e todos vivem felizes e descomplicados quanto ao sexo. Nada demais, de errado ou de condenável existe nele. A não ser para os padres, que nunca tendo feito sexo ou nunca tendo casado e menos ainda namorado, como fazem questão de dizer, se bem que não acreditemos muito, se metem a dizer como o sexo deve ser feito ou como o casamento ou uma relação amorosa deve ser vivida, sem nunca terem vivido uma ou como juram, sequer terem visto uma mulher nua, cruzes, pecado dos pecados. E nem mesmo tendo namorado, afinal sua religião condena de tal forma o sexo e impõe tantos tabus, medos e preconceitos sobre ele, que ficamos pensando se boa parte desses padres não trazem dentro de si o recalque de nunca terem vivido o que teriam gostado muito, o sexo em toda sua plenitude.
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Se bem que com tantos escândalos hoje usualmente noticiados nos jornais envolvendo padres, adolescentes e certas mulheres muito rezadoras mas frequentadoras mais afoitas das igrejas e sempre em busca de um romance, fica a certeza de que se alguns padres tem toda experiência numa relação entre homem e mulher, outros, sempre vociferando contra o sexo, conseguem apenas passar a imagem de homens que de dentro de suas batinas são martelados incessantemente pelo desejo de saber, afinal, como é que será esse tal de sexo? Como serão seus prazeres? Será verdade tudo o que lhes confessam? É tão gostoso assim?
Ah, se desse para sair dessa batina e fazer. Bem, alguns colegas deles já fizeram isso. Mas isso o radinho não fala.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

R38 Uma antiga magia

Com tom azul...
Hoje de forma paciente cortei algumas varetas de madeira. Ajustei as medidas da serra e peguei uma pequena tábua há muito tempo guardada aqui e comecei o corte. Depois, de forma calma lixei e colei todas as varetas atrás de uma fina placa de madeira prensada, como suporte de uma moldura.
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Sobre a placa espalhei cola e depois colei o retrato de uma das divas de Hollywood, da década de 50. É inacreditável a magia que existe nesses retratos. Na época existia uma forma diferente de se captar a beleza dessas mulheres inesquecíveis, que até hoje atraem os olhares e a admiração de todos.
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Retratos em preto e branco, alguns com a chamada viragem em azul, que realça sua beleza. As fotos, as roupas, os olhares, as poses de uma sensualidade suave, de uma época que já passou mas que ainda é vista e sentida pelo mundo todo.
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Terminei de pintar a lateral da moldura, coloquei o retrato na parede e vi uma só coisa. Absoluta perfeição e beleza.
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Na verdade, uma espécie de magia no tom azul luar.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

D19 Depois de tudo perdido

Apenas um pequeno clique...
Com esta postagem inicial recomeço no novo espaço que criei Cartas do Vellker ainda recebendo retoques finais, o antigo bilogue (aportuguesei a palavra) que mantive por muito tempo no Terra, o velho http://vellker.blog.terra.com.br que ontem, por causa de um pequeno clique, deixou de existir.
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Há algum tempo atrás pude voltar a acessá-lo e ontem quando salvava textos para republicar, ao rever e apagar algumas postagens que haviam ficado como rascunho, por distração dei o comando de "excluir tudo" e não apenas uma postagem. Quando me dei conta do erro, me senti como o piloto que ao aterrissar vê faíscas saindo debaixo do avião e percebe que, ora essa, esqueceu de baixar o trem de pouso. Claro, fica de orelhas vermelhas enquanto vê a agitação na torre de controle.
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Por sorte ninguém morreu, a não ser textos e imagens que mantive desde 2006. Textos e imagens que lamento ter perdido. E findou-se a memória do velho bilogue, que agora começo a repostar através do que havia conseguido salvar. Lá aprendi a postar os primeiros textos, refazer a redação, corrigir temas e conjugar imagens com o assunto escolhido. Também conheci muitos amigos da chamada bilogosfera, no Brasil e no exterior e valeu a pena o aprendizado.
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Na medida do possível, os textos serão repostos ordenados da melhor forma possível. Apesar do tempo passado, vai valer a pena ler de vez em quando.
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Tento o acesso mais uma vez com uma certa esperança, olho para a mensagem na tela informando que o bilogue não foi encontrado e de vez me sinto como o piloto, que depois de sentir o avião parar na pista, olha para a torre de controle e liga o rádio balbuciando alguma desculpa. Era só ter apertado um pequeno botão e o avião estaria a salvo.
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No meu caso era só ter dado um clique em outro botão e tudo ainda estaria em seu lugar.
Acontece nos melhores teclados.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

R37 Não parece haver fim para isso

Lágrimas e lembranças...
Ontem passei mais uma vez na velha ferrovia que hoje faz parte de muitas lembranças que tenho. Gostaria que houvesse um fim para isso, mas não vai ter. Olho para os trilhos, essa continuidade terminando numa curva onde não posso mais ver o caminho. Vai ser assim, sem ver o final disso o resto da vida.
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Quando era criança passei nesta mesma ferrovia num dia de verão, com minha mãe me levando para conhecer a cidade onde ela havia nascido. Ainda hoje me lembro dos campos e matas, da alegria de viajar de trem. Depois a chegada na estação, o passeio na cidade, tudo que deixa uma criança feliz. Até mesmo a estradinha por onde passamos ainda existe.
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Ontem, de novo me peguei relembrando dos dias em que cuidei da minha mãe enquanto ela agonizava, abatida pela doença que a levou ao fim. Nem mesmo quero lembrar disso, a lembrança vem como uma onda de ar frio, que não peço e nem desejo, simplesmente vem, tamanho foi o sofrimento que ela passou e me deixou marcado.
Lembro do olhar dela, entre assustado em certos momentos e com lágrimas em outros, poucas vezes sereno, pela dor que a doença lhe causava. Pouca vezes eu via serenidade naquele olhar, mas cuidava dela como podia. É aí que nos sentimos miseravelmente humanos. Humanos incapazes de fazer alguma coisa, incapazes de fazer um milagre, apenas vítimas do que acontece. E muitas vezes eu via o olhar dela como o de uma menina assustada, com lágrimas descendo e só o que eu podia fazer era cuidar dela, com os olhos úmidos também.
Não queria ficar lembrando disso, mas a dor que ela sofreu foi tão grande que veio a ser parte da minha vida e minha dor também. Olho para o sol se pondo e os trilhos brilhando com sua luz. Gostaria que essa dor tivesse um pôr do sol também.
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O vento volta a soprar. Eu me levanto e caminho. Enquanto atravesso a ferrovia, olho para os trilhos, olho bem para a curva onde os trilhos se perdem e em parte me conformo. Não parece haver fim à vista para essa dor.

domingo, 22 de maio de 2011

D18 De tarde e de manhã

Mas não é possível...
Voltando ontem para casa já de tarde depois de algumas correrias, mal havia me sentado para tomar um bom café e folhear um livro quando começa a tocar de novo o alto-falante da igreja perto de casa. De novo. Há coisa de duas semanas que aguento, aliás, todos no quarteirão aguentam o que é um costume secular da igreja católica desde que inventaram o alto-falante: tocar a música da Ave Maria em tom de ópera, coisa que escuto desde que era criança, com um cantor do qual nunca soube nada a não ser que põem o coitado para cantar outra vez, enquanto vários coitados que católicos ou não nas vizinhanças tem que aguentar isso ano após ano. Isso todo brasileiro conhece ou melhor dizendo, aguenta.
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Depois de passada a cantoria, fui passando a noite sossegado enrolado nos cobertores com um frio de gelar as orelhas. Aconteceu que um filme interessante começou, tarde é claro e me deixei levar pelo enredo muito bom. Fui dormir bem tarde, mas sendo domingo, sem problemas.
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Lá pelas 8 da manhã de domingo, frio ainda, acordo com barulho de gente batendo palmas. Vou lá ver. Abro a porta e lá estão duas senhoras vestidas com o clássico figurino evangélico com livros nas mãos que só podem ser Bíblias, que me perguntam se podem me falar sobre a mensagem divina e a salvação da alma. São Testemunhas de Jeová, que mesmo com esse frio saem pregando. Tudo bem que preguem, mas não podiam deixar para bater palmas mais tarde? E com esse frio ainda? Mas não é possível. Me despeço com uma desculpa qualquer e já vou preparar o café. Mas que coisa, com esse frio, domingo bem cedo e já pregando a salvação por aí! Que situação.
Bem mais tarde vou ao mercado para comprar alguns pães. Na fila da padaria me divirto olhando o que chamo de "televisão de cachorro" que é o galeto onde os frangos assados ficam rodando e são escolhidos pelos fregueses. Sempre tem audiência cativa. Ao sair do mercado vejo as mesmas senhoras batendo palmas na porta de outra casa em frente. Haja fé para tanta pregação.
Voltando para casa ligo o computador e começo a ler as notícias. A mais interessante é que uma congregação americana na Califórnia, regida pelo pastor Harold Camping está numa situação constrangedora. O fim do mundo anunciado pelo seu líder para ontem às 8 horas da noite, não aconteceu. A seita alugou outdoors, colocou imensos anúncios conclamando todos a se arrependerem, alguns seguidores se separaram de suas famílias, outros abandonaram os empregos e esperaram o dia final, isto é, ontem, reunidos em orações fervorosas e nada aconteceu. Pelo mundo todo as pessoas continuaram indo ao mercado para entrar na fila da padaria e outras coisas.
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Agora vão perguntar ao pastor o que deu errado e vão saber de duas coisas, ou ele vai dizer que Deus decidiu dar uma nova chance a todos ou então que o mundo já acabou e estamos no mundo novo, afinal foi apenas um fim espiritual, os fiéis é que entenderam errado. Ou vão descobrir que ele está em estado de demência, como já aconteceu com as Testemunhas de Jeová, cuja seita previu o fim do mundo para 1914, depois para 1925, depois para 1975 e a partir daí ninguém mais da religião deles toca no assunto.
JustificarO certo é que enquanto houver alto-falantes nas torres das igrejas católicas para tocar a Ave Maria de tarde e manhãs de domingo bem frias para as Testemunhas de Jeová acordarem as pessoas bem cedo, é certo que o mundo não vai acabar. Que coisa.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

C03 A Síndrome da China

Já aconteceu de verdade antes e depois...
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Filme recomendado

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A Síndrome da China (The China Syndrome, EUA, 1979)
Na longa e inesquecível cronologia dos filmes que retratam certos acontecimentos reais dos nossos tempos, alguns se destacam não só pela marcante interpretação dos atores com o trabalho de roteiristas muito bons. Juntando tudo isso com uma direção competente, temos o que chamamos de clássicos do cinema.
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Apesar de uma produção até simples para os padrões do cinema americano, é assim que podemos descrever "Síndrome da China", um filme que retratou de forma vívida um drama real que já aconteceu bem antes que ele fosse produzido e inacreditavelmente aconteceu na época apenas 12 dias depois do lançamento do filme e no Japão acontece nos dias de hoje enquanto estas linhas são lidas. No tempo em que o leitor vê este texto, na agora antiga usina nuclear de Fukushima no Japão e mais novo jazigo nuclear do mundo, tudo o que o personagem principal deste filme mais temia acontece a cada minuto, com a massa de combustível nuclear aos poucos vazando para o mar.
Jack Lemmon, um dos artistas mais expressivos de Hollywood interpreta o engenheiro-chefe de operações de uma uma usina nuclear americana, que em determinado dia percebe apavorado que por um erro do painel de instrumentos quase haviam provocado a fusão do reator e pior ainda, percebera com isso um defeito na construção do sistema de resfriamento. Sem ele saber estavam vendo tudo os repórteres de uma emissora de televisão, com a jornalista interpretada por Jane Fonda junto com Michael Douglas como o cinegrafista, que estavam ali para uma reportagem sobre o dia a dia de uma usina e haviam chegado no exato momento do incidente.
Depois de alertar seus superiores e a empresa proprietária da usina sobre os problemas que havia percebido, Jack percebe por parte da empresa a atitude de minimizar o ocorrido e manter as ações da empresa sem problemas no mercado financeiro. Más notícias além disso teriam o efeito de provocar o adiamento da nova usina construída pela empresa e em fase de aprovação pelo governo americano. Pior ainda, ao analisar os dados de segurança entregues na aprovação da usina, ele percebe que os dados haviam sido falsificados.
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Correndo contra o tempo, Jack conta apenas com contatos com a repórter para tentar denunciar o que poderia acontecer e ao voltar para a usina encontra uma operação de teste em força máxima em andamento, o que poderia provocar exatamente o que ele temia, a fusão do núcleo radioativo. Sem alternativas ele invade a sala de controle armado, expulsa todos de lá e tomando o controle da usina, passa a exigir a presença da imprensa para denunciar tudo o que estava acontecendo.
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Fora da sala de controle, a única preocupação dos diretores da empresa é fazer o desligamento externo dos circuitos para neutralizar as ações do engenheiro. Com a entrada da repórter na sala para entrevistar Jack ao vivo, o maior temor dos diretores da empresa já acontecera. Era inevitável a paralisação da nova usina, o fechamento da que estava com problemas e acima de tudo a perda financeira. Em nenhum momento os diretores da empresa levavam em conta que estavam com um núcleo de combústivel nuclear com problemas, arriscando uma catástrofe de proporções colossais. Interessava-lhes apenas preservar os lucros da empresa e é claro, seus lucros pessoais. Uma catástrofe nuclear e milhares de vítimas estavam fora das considerações.
Parece loucura que diretores de uma empresa possam agir assim, com toda sua educação formal, mas foi exatamente o que aconteceu antes do filme. Em 1957 em Windscale na Inglaterra, uma usina para fins militares, somente a insistência de um engenheiro em reforçar os sistemas de isolamento evitou que uma parte do país ficasse inabitável. Um incêndio no núcleo de urânio provocou a desativação da usina. Tudo o que restou da usina permanece em constante monitoramento. Em Kyshtym na antiga União Soviética, também em 1957 a fusão do núcleo provocou centenas de mortes e a usina permanece como um jazigo nuclear.
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Apenas 12 dias depois do lançamento do filme, a usina nuclear de Three Mile Island sofreu um acidente com exposição do núcleo radioativo em quase tudo semelhante aos acontecimentos do filme. Em 1986 o mundo ficou estarrecido com o acidente de Chernobyl, que hoje é um gigantesco jazigo nuclear. Em 2011, depois de um tsunami que provocou milhares de mortos e a destruição das salas de controle da usina de Fukushima no Japão, o núcleo de combústivel nuclear entrou em fissão sem controle, provocando a explosão de um dos reatores que até agora permanecem com sua reação sem controle, com um providencial esquecimento da mídia. A atitude do grupo de dirigentes da empresa foi de minimizar custos e até mesmo racionar a comida dos técnicos que trabalham na contenção do desastre, enquanto faziam apressadas reuniões para tentar acalmar os ânimos no mercado de ações.
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Na época da construção da usina por uma empresa americana, um engenheiro demitiu-se do projeto denunciando o que ele considerava absurdas falhas de segurança no projeto, em especial a usina ser tão próxima do mar numa região sujeita a terremotos como o que aconteceu.

A atitude dos grandes empreiteiros e burocratas governamentais poderia ser apenas ficção mas não é. No mais recente caso de contaminação nuclear, uma catástrofe natural desencadeou outra que já estava engatilhada por tais atitudes, de prezar acima de tudo lucros corporativos e pessoais.
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Nos tensos momentos em que a repórter entrevista o engenheiro dentro da sala de controle, nas coisas que ele consegue dizer até o desfecho final, fica uma clara imagem de como deveriam ser operados esses sistemas, que ao invés disso são submetidos a um lógica de mercado absolutamente insana.